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Caso Master: Paulo Gonet confirma encontro com Daniel Vorcaro em Londres, mas nega relação de amizade com ex-banqueiro

O Conselho Superior do MPF vai analisar possível impedimento do procurador-geral em casos relacionados ao Banco Master, após representação do partido Novo. O post Caso Master: Paulo Gonet confirma…

Caso Master: Paulo Gonet confirma encontro com Daniel Vorcaro em Londres, mas nega relação de amizade com ex-banqueiro
Foto: Reprodução/Times Brasil

Vinicius Marques

Jornalista

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, confirmou que esteve com o banqueiro Daniel Vorcaro em um evento realizado em Londres, em abril de 2024, mas negou manter amizade ou qualquer vínculo pessoal com o ex-controlador do Banco Master.

A explicação consta de uma manifestação de 37 páginas enviada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF). O documento foi apresentado após pedido do subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, relator de um procedimento aberto a partir de representação do partido Novo.

O caso discute se Gonet deveria ser considerado impedido de atuar em procedimentos relacionados ao Banco Master e a Vorcaro. O Conselho Superior marcou para o dia 25 a análise do assunto.

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Leia também: Quem é Paulo Gonet, procurador-geral da República envolvido nos desdobramentos do STF?

Conselho avalia possível impedimento

O questionamento sobre a atuação do procurador-geral ganhou força após informações reunidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. Um documento encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou dúvidas sobre uma possível proximidade entre Gonet e Vorcaro.

Em sua manifestação, o procurador-geral sustentou que não possui relação de amizade com o banqueiro e afirmou não ter interesse pessoal nas investigações ou nos processos em que Vorcaro esteja envolvido.

Gonet também informou que pretende continuar atuando nos procedimentos relacionados ao Banco Master. Para ele, não existem elementos que coloquem em dúvida sua imparcialidade nem fundamentos para a abertura de uma investigação criminal sobre sua conduta.

Mensagens são contestadas pelo procurador-geral

Parte das suspeitas está relacionada a mensagens obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro.

Segundo a investigação, conversas envolvendo o advogado Ciro Soares fariam referência a manifestações atribuídas a Gonet, entre elas expressões interpretadas como demonstrações de proximidade com o banqueiro.

O procurador-geral rejeitou essa interpretação. Segundo ele, uma mensagem com referência a “saudade” não teria sido dirigida a Vorcaro. Gonet também afirmou que outra expressão, na qual alguém era chamado de “máquina”, teria como destinatário o próprio advogado Ciro Soares.

Na avaliação de Gonet, mensagens encaminhadas ou reproduzidas por terceiros não podem ser usadas automaticamente como prova de uma relação pessoal que, segundo ele, nunca existiu.

Encontro ocorreu durante evento jurídico

Gonet afirmou que o único encontro presencial com Vorcaro ocorreu durante um evento em Londres, em abril de 2024. A programação reunia autoridades e representantes dos meios jurídico, político e empresarial para debates sobre temas institucionais e internacionais.

O procurador-geral participou de um painel sobre o papel do Judiciário na estabilidade democrática.

Também estavam no evento, de acordo com o relato apresentado ao Conselho Superior, os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além de Ricardo Lewandowski, então ministro da Justiça, do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A programação contou ainda com ministros do Superior Tribunal de Justiça e com o ex-presidente Michel Temer, entre outros convidados.

Segundo Gonet, ele não conhecia Vorcaro antes do encontro. O procurador afirmou que teve contato com o banqueiro apenas em momentos de convivência entre os participantes e sempre na presença de outras pessoas.

Ele acrescentou que não tratou de assuntos profissionais com o empresário.

Gonet diz que Master não despertava suspeitas à época

Na manifestação, o procurador-geral afirmou que, no momento do evento em Londres, não tinha conhecimento de suspeitas de irregularidades envolvendo Vorcaro ou o Banco Master.

Segundo Gonet, a instituição financeira não aparecia como patrocinadora do encontro e, naquele período, era vista por ele apenas como uma empresa em funcionamento regular.

O procurador relatou ainda que Vorcaro lhe foi apresentado naquele contexto como um empresário com trânsito entre integrantes dos meios político, jurídico e empresarial.

Gonet declarou que não voltou a se encontrar pessoalmente com o banqueiro depois do evento.

PGR nega tentativa de interferir em investigações

Outro ponto abordado na manifestação diz respeito à atuação de Gonet durante as apurações envolvendo o Banco Master.

O procurador-geral negou ter adotado medidas para interromper, dificultar ou limitar investigações. Segundo ele, ocorreu o contrário: integrantes do Ministério Público responsáveis pelos casos teriam recebido apoio institucional e estrutura para conduzir as apurações.

Gonet também respondeu a referências ao nome “Paulo” encontradas em anotações atribuídas a Vorcaro, feitas entre outubro e novembro de 2025.

De acordo com o procurador-geral, esses registros estavam relacionados a preocupações do banqueiro com providências que poderiam ser tomadas na primeira instância e não demonstrariam qualquer interferência da chefia da Procuradoria-Geral da República.

Caso será analisado pelo Conselho Superior

O Conselho Superior do MPF é a instância administrativa máxima da instituição. O colegiado possui dez integrantes e é presidido, em condições normais, pelo próprio procurador-geral da República, que ocupa uma vaga como membro nato.

Também fazem parte do Conselho o vice-procurador-geral da República e oito subprocuradores-gerais, escolhidos por diferentes processos internos da instituição.

Na sessão destinada à análise do caso, a presidência ficará a cargo do vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino.

Os integrantes deverão avaliar os argumentos apresentados pelo partido Novo e a resposta encaminhada por Gonet antes de decidir se existe fundamento para afastá-lo das apurações relacionadas ao Banco Master.

Na defesa enviada ao colegiado, o procurador-geral classificou as acusações como sem fundamento e dividiu suas explicações em dois eixos: a natureza de seu contato com Vorcaro e sua atuação institucional durante a Operação Compliance Zero.

Gonet sustenta que nenhum dos episódios apresentados compromete sua capacidade de continuar à frente das atribuições da Procuradoria-Geral da República relacionadas ao caso.

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