Em entrevista ao Jornal da Record, nesta terça-feira (15/9), o chefe do Planalto defendeu a reforma no Poder Judiciário e voltou a cobrar rigor nas investigações. O presidente afirmou que é preciso “investigar a todos, sem distinção”.
“Não há como o povo brasileiro ficar vendo a Suprema Corte perder credibilidade na sociedade. A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo. Ora, então que se apure, se apure com todo o rigor”, disse o presidente.
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➡️ Lula defende apuração com rigor no STF: “Abra-se o sigilo de todo mundo”
Lula também mencionou a quebra de sigilo no âmbito do caso Master. Anteriormente, ele havia se queixado de “vazamentos seletivos” sobre as investigações. Nesta terça, o presidente citou nominalmente o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e sugeriu que o magistrado contribuiu com os vazamentos.
“Abra-se o sigilo de telefone de todo mundo. Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando aquilo que interessava a ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem estava metido nisso. Por que o Toffoli não votou? Por que o Kassio não votou?”, questionou.
Ainda durante a entrevista, o candidato à reeleição defendeu uma mudança nos critérios de escolha de magistrados em diferentes instâncias do Judiciário.
“O Poder Judiciário precisa virar exemplo e não contribuir para a desconfiança da sociedade”, disse Lula.
Julgamento indefinido
O julgamento sobre a abertura da investigação contra Moraes terminou indefinido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Parte dos magistrados defenderam que o caso fosse analisado junto ao processo para apurar a conduta de André Mendonça, em sessão prevista para o dia 23 de setembro. O placar, até o momento, é de 4×3 para manter os casos separados.
Votaram pelo julgamento conjunto: Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
Votaram contra o julgamento conjunto: Edson Fachin, Luiz Fux, André Mendonça e Cármen Lúcia.
Flávio Dino votou pelo julgamento conjunto. No entanto, com o pedido de vista, o voto não foi contabilizado.
O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido para julgar Moraes. Já Dias Toffoli alegou suspeição. Com isso, os dois não votaram no julgamento.
Moraes chamou a investigação de “fraudulenta” e classificou a condução de André Mendonça, relator do caso, como “mafiosa”. Gilmar Mendes também entrou em confronto com Mendonça e afirmou haver “um viés político eleitoral” na forma como o caso foi conduzido.
Mendonça rebateu ambas as alegações e classificou a fala de Gilmar como “leviana”. Ele e Fux citaram a existência de uma Polícia Federal (PF) “paralela”, voltada ao monitoramento de ministros da Corte.