Rotina do vocalista dos Rolling Stones reúne corrida, dança, musculação, ciclismo, natação e kickboxing
Balé, yoga e pilates completam a rotina, com foco em flexibilidade, mobilidade e controle corporal.
Na avaliação de Fabio Aquino, especialista em Fisiologia do Exercício o que mais chama atenção na rotina do cantor não é apenas a intensidade dos treinos, mas a capacidade de preservar a autonomia com o passar dos anos.
“Quando vejo Mick Jagger aos 83 anos treinando e mantendo esse nível de atividade, não penso apenas em condicionamento físico. Penso em independência. O grande patrimônio que construímos com o exercício ao longo da vida é chegar à velhice ainda sendo donos do próprio corpo”, afirma Fabio Aquino.
Segundo o especialista, existe uma diferença importante entre viver mais e conseguir manter a capacidade física ao longo do envelhecimento. Com o passar dos anos, é comum ocorrer uma redução progressiva de massa muscular, força, potência, capacidade cardiorrespiratória, equilíbrio e mobilidade. A prática regular de exercícios pode ajudar a preservar essas funções.
Força além da estética
No caso de Jagger, Aquino destaca que a variedade de atividades é um dos pontos que merecem atenção. A rotina envolve resistência cardiovascular, força, mobilidade, equilíbrio, coordenação e flexibilidade.
“É exatamente aí que está uma das grandes lições. Aos 70, 80 anos, não podemos pensar somente em caminhar. Precisamos preservar força, capacidade cardiovascular, equilíbrio e mobilidade. São essas capacidades que determinam se uma pessoa continuará subindo escadas, carregando suas coisas, viajando, trabalhando e vivendo com autonomia”, explica Aquino.
De acordo com o especialista, o treinamento de força também ganha outro significado à medida que envelhecemos. Durante muito tempo, a musculação esteve associada principalmente à estética e ao ganho de massa muscular. Hoje, porém, a atividade é considerada importante para a manutenção da funcionalidade.
“Levantar de uma cadeira, subir um degrau, carregar compras ou recuperar o equilíbrio depois de um tropeço são movimentos simples do cotidiano, mas que dependem de força e capacidade neuromuscular.”
Ele destaca que, depois de determinada idade, o músculo deixa de ser uma questão predominantemente estética e passa a representar uma reserva funcional.
“Quanto mais força e capacidade física conseguimos preservar, maior tende a ser nossa autonomia.”
4 imagens

Fechar modal.
1 de 4Aos 83, Mick Jagger adota hábitos indicados por Harvard para envelhecer bem
Axelle/Bauer-Griffin/Getty Images 2 de 4Mick Jagger
Instagram/Reprodução 4 de 4Mick Jagger é o vocalista dos Rolling Stones
reprodução
Cada corpo, um treino
Apesar de inspiradora, a rotina de Jagger não deve ser encarada como uma receita para quem deseja envelhecer com mais disposição. Segundo Aquino, cada pessoa precisa respeitar seu próprio histórico e suas condições físicas.
“Aos 83 anos, começar a correr longas distâncias apenas porque o cantor mantém esse tipo de treinamento pode não ser a melhor estratégia. O organismo de Jagger foi condicionado ao longo de décadas, e sua preparação também está relacionada às exigências físicas de suas apresentações.”
O treinador afirma que os treinamentos devem levar em conta fatores como histórico de atividade física, condição cardiovascular, força, mobilidade, eventuais lesões e capacidade individual de recuperação.
“A mensagem não é: tenha 83 anos e corra 12 quilômetros. A mensagem é: comece a construir hoje o corpo que você gostaria de ter aos 80. Para alguém, isso significará correr. Para outro, caminhar. Para outro, musculação. O importante é criar capacidade e evoluir de maneira segura e progressiva”, destaca Fabio Aquino.
Exercício além da estética
Na avaliação do especialista, o caso de Jagger também ajuda a ampliar a maneira como o exercício é visto. Mais do que uma ferramenta para emagrecer ou melhorar a aparência, a atividade física pode fazer parte de uma preparação para as mudanças naturais do envelhecimento.
“Treinar força ajuda a preservar movimentos do dia a dia. Trabalhar equilíbrio pode contribuir para a prevenção de quedas. Já o condicionamento cardiovascular e a mobilidade são importantes para manter a disposição e a independência.”
O treinador diz que o objetivo da longevidade não deveria ser simplesmente acrescentar anos à vida.
“Deveria ser acrescentar vida aos anos. E poucas ferramentas têm tanto potencial para isso quanto o exercício físico praticado de forma consistente ao longo do tempo”, conclui Fabio Aquino.