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Agro
Retenção de estoques diante da menor cotação foi o que derrubou a exportação brasileira de café, mostra Rabobank
Rabobank aponta queda de 6,4% nas exportações entre janeiro e julho, mesmo com chuvas favoráveis para a próxima safra O post Retenção de estoques diante da menor cotação foi o que derrubou a…
Foto: Reprodução/Times Brasil
Allan Ravagnani
Jornalista
A retenção de estoques por parte dos produtores brasileiros derrubou o acumulado das exportações de café em 2026, aponta relatório mensal do RaboResearch Food & Agribusiness, braço de pesquisa do Rabobank referente a agosto. O documento é assinado por Claudio Delposte, analista da instituição responsável pelo acompanhamento mensal do mercado cafeeiro brasileiro.
Em julho, o Brasil exportou 3,03 milhões de sacas de café, volume praticamente estável ante o mês anterior, mas 10% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, segundo o Rabobank. Ainda assim, o acumulado entre janeiro e julho somou 20,7 milhões de sacas, patamar 6,4% inferior ao do mesmo período do ano passado.
Parte dessa diferença está ligada à postura mais cautelosa dos produtores, que mantêm estoques represados diante dos preços e da baixa liquidez observada no mercado físico, avalia o relatório.
Correção nos preços reforça cautela dos produtores
Agosto foi marcado por um movimento de correção nos preços futuros de café, o que ajuda a explicar a cautela relatada pelo Rabobank. No arábica, as cotações chegaram perto de 342 centavos de dólar por libra peso ao longo do mês, mas perderam força na reta final e fecharam agosto em 311,50 centavos, queda de 8,8% ante a máxima mensal.
No robusta, a pressão baixista foi ainda mais intensa. Os preços recuaram de máximas próximas de US$ 3.884 por tonelada para US$ 3.529 no fechamento do mês, retração de cerca de 9,1%. Para o Rabobank, o movimento sugere realização de lucros e redução dos prêmios de risco associados à oferta, com correção mais acentuada no contrato de Londres.
Clima favorece potencial da próxima safra
Enquanto o comércio exterior segue represado, o cenário climático trouxe sinais positivos para as lavouras. Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, a maior parte das regiões produtoras registrou volume de chuva superior ao da safra anterior, com destaque para Guaxupé, que teve alta de 39,6%, Manhuaçu, com 24,4%, Brejetuba, com 23,2%, e Linhares, com 19,0%.
Na comparação com a média climatológica dos últimos 15 anos, regiões importantes também tiveram chuvas acima do normal, o que contribuiu para a reposição da umidade do solo e a redução do estresse hídrico das plantas, aponta o Rabobank. Localidades como Três Pontas, Franca e Alta Floresta D’Oeste registraram volumes abaixo da média histórica, mas o cenário geral foi considerado positivo para o potencial produtivo da safra atual e para a formação dos ramos que sustentarão a colheita de 2027/28.
Colheita da safra 2026/27 está perto do fim
A colheita da safra 2026/27 se aproxima do encerramento, com as primeiras floradas já visíveis em algumas regiões produtoras de café arábica. Nas áreas mais altas e montanhosas, no entanto, o trabalho segue porque as temperaturas mais baixas atrasam o amadurecimento dos frutos, ao mesmo tempo em que ocorre a colheita do café de varrição.
No conilon, a florada já ocorreu e o pegamento foi satisfatório na maior parte das lavouras, segundo o Rabobank. Com as condições climáticas favoráveis observadas até agora, as expectativas para a safra 2027/28 permanecem positivas, com boa formação de frutos e desenvolvimento inicial da próxima produção.