30/06/2023 às 16h22min - Atualizada em 01/07/2023 às 00h00min

Escombros, do inglês Dennis Kelly, ganha montagem dirigida por Clara Carvalho no Sesc Pompeia

Peça trata das lembranças de dois irmãos que vivem em permanente decomposição emocional em uma realidade permeada por conflitos, abusos, violência e tormentos

SALA DA NOTÍCIA Da Redação
https://www.sescsp.org.br/programacao/escombros/

Ronaldo Gutierrez
A premiada atriz e diretora Clara Carvalho (vencedora dos prêmios APCA, Aplauso Brasil e Shell) dirige a peça inédita Escombros (do original Debris), o primeiro texto do autor inglês contemporâneo Dennis Kelly. O espetáculo traz no elenco Isabella Lemos e Iuri Saraiva (vencedor do prêmio APCA 2019 pela atuação em Jardim de Inverno) e estreia no dia 4 de julho no Espaço Cênico do Sesc Pompeia, onde segue em cartaz até 21 de julho, com sessões de terça a sexta, às 20h30.

Considerada pelo próprio autor a sua obra mais autobiográfica, Escombros é uma peça de um ato, na qual os irmãos Michael e Michelle narram versões da história de suas vidas, fantasiando o passado e procurando um sentido para sua infância pobre e conturbada.


O espetáculo começa com o monólogo de Michael sobre a memória de voltar para casa no dia do seu aniversário de 16 anos, abrir a porta do apartamento e encontrar seu pai, um alcoólatra convertido ao catolicismo e fanático por Jesus, crucificado no meio da sala de visitas. Já Michelle é obcecada pela morte da mãe e cria versões contraditórias sobre a forma como ela teria morrido e sobre como ela, Michelle, teria nascido.

A trama intercala essas narrativas dos irmãos, mostrando a luta desesperada pela sobrevivência em um universo em que o abuso sexual, a pobreza, a violência e a dor estão constantemente presentes. Dennis Kelly cria um mundo onde as mães morrem antes de dar à luz, onde bebês nascem do lixo e, famintos, mamam sangue nos mamilos dos homens.

Com uma escrita precisa, fragmentada e de um humor sombrio, a peça aborda temas indigestos, em uma narrativa vertiginosa. “A linguagem da peça é exuberante e encantadora na sua crueza. O que temos são sempre versões do que aconteceu. Michael nos conta, por exemplo, como encontrou no lixo o bebê Debris. Em algumas cenas os irmãos contracenam, encenando situações de abuso que viveram. A linguagem do autor é bruta, mas muito sofisticada, engraçada e extremamente poética”, diz Clara Carvalho.

É o segundo texto de Dennis Kelly que Clara dirige. “Eu já tinha dirigido uma peça chamada Órfãos, em 2012, uma montagem que ganhou o Festival da Cultura Inglesa e depois fez uma temporada com patrocínio da Vivo. Foi a atriz Isabella Lemos que me apresentou a ele. O autor é uma das vozes mais interessantes do teatro inglês contemporâneo”, conta Clara.

“Esta peça volta ao tema da orfandade. Mais uma vez os protagonistas são dois irmãos que tiveram uma infância de abandono, mas sobreviveram. Acho que a sensação de perplexidade e abandono social de dois jovens frutos de uma família disfuncional recriando as próprias vidas é muito tocante. Minha preocupação é fazer com que o texto brilhe na boca e no corpo dos atores; é mostrar a riqueza que emerge daquelas duas criaturas tão maltratadas, sem perder a centelha da graça e da fantasia”, acrescenta a diretora. “Numa outra camada, essa mãe tão maltratada de que a peça fala, talvez seja também nosso planeta Terra, que já não consegue se proteger de uma humanidade compulsivamente destrutiva”.

A atmosfera de Kelly neste texto tem ressonância com a obra de Samuel Beckett, em que os seres humanos foram abandonados em um mundo regido por um Deus indiferente. A encenação conversa com a realidade cinzenta e detonada dos quadros do pintor alemão Anselm Kieffer, com os azulejos cortados de Adriana Varejão, com a cultura pop e a TV, diz Clara.

A montagem conta com cenografia de Eric Lenate, figurinos de Marichilene Artisevskis, trilha de Ricardo Severo e iluminação de Nicolas Caratori.


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