Natália e Evilásio voltaram ao colégio onde se conheceram em 2012, vestiram fardas e eternizaram a história que começou nos corredores do Farias Brito Central.
Um casal de Fortaleza decidiu transformar o ensaio fotográfico de pré-casamento em uma viagem ao passado: Natália Ponte, de 28 anos, e Evilásio Costa, de 29, voltaram ao Colégio Farias Brito Central — onde se conheceram em 2012 — vestindo fardas escolares para registrar a história que os uniu há 14 anos. O casamento religioso está marcado para o dia 19 de setembro.
Os dois se conheceram em fevereiro de 2012, por meio de amigos em comum, quando ela cursava o 9º ano e ele o 1º do ensino médio. O namoro começou oficialmente em 26 de agosto daquele mesmo ano, em um cinema, mas a aproximação foi construída aos poucos: conversas no recreio, mensagens trocadas pelo MSN e uma amizade que antecedeu o romance.
A ideia de fotografar no colégio partiu de Natália. "Eu sempre falava assim: 'Quando a gente for fazer as fotos do ensaio, eu quero voltar pro FB, que foi onde a gente se conheceu, que foi onde tudo começou'", contou ela. Evilásio ficou responsável por articular a visita com a coordenação da escola, utilizando um contato antigo nas redes sociais para viabilizar o acesso.
Para recriar o visual da época de estudantes, o casal usou fardas emprestadas pelos irmãos mais novos de Evilásio, que ainda estudam na instituição. O modelo do uniforme, segundo o noivo, não mudou desde que os dois concluíram o ensino médio.
As fotos reencenam momentos da adolescência do casal. Em uma delas, os dois se cruzam em um corredor, deixam cair um livro e um violão, e se abaixam juntos para recolher os objetos. A cena foi ideia de Natália, que na adolescência escrevia fanfics ambientadas no próprio colégio.
Outro registro remete ao corredor onde os dois se escondiam dos fiscais para namorar — relacionamentos entre alunos não eram bem vistos pela coordenação. "A gente já foi levado para a coordenação algumas vezes por causa disso", lembrou Natália, entre risos.
Entre as memórias mais marcantes do período escolar está uma apresentação musical de 2014. Evilásio subiu ao palco com uma banda de amigos e, antes de começar, cantou a cappella um trecho de "The Scientist", do Coldplay, olhando diretamente para Natália. "Isso é coisa de filme", resumiu a noiva.
O casal também relembrou outros episódios da época: um bilhete de amor entregue por um professor que Natália, sem imaginar ser de Evilásio, atribuiu ao próprio docente; um buquê de flores recebido na coordenação durante a aula, no Dia dos Namorados; e uma festa surpresa de aniversário organizada por ele no recreio, com salgadinhos e torta que quase não chegaram a tempo.
Ao vestir o uniforme novamente, Natália descreveu uma mistura de espanto e afeto. "Quando eu botei a farda, me olhei no espelho e pensei: 'Meu Deus do céu, não acredito que eu tô voltando'", relatou. Ela admitiu que nem sempre olhou para o período escolar com carinho, mas que o reencontro com o espaço trouxe apenas sensações positivas. "Quando a gente voltou, foi só uma sensação boa. Eu olhava aquele corredor e via a gente lá", disse.
Passados 14 anos — cerca de metade de suas vidas —, os dois avaliam que cresceram juntos em um período decisivo. "A gente cresceu por parte da nossa vida junto, a partir dos 14, 15 anos, quando a gente ainda estava formando a personalidade, se conhecendo, definindo como ia ser", refletiu Evilásio. "Ela pegou coisas minhas, eu comecei a ter uma visão dela de mundo. Acho que isso foi essencial para eu ser uma pessoa melhor", completou.
Evilásio atribui à companheira parte importante de sua trajetória acadêmica. Ao longo da graduação em Ciência da Computação — iniciada na Universidade Estadual do Ceará e concluída na Universidade Federal do Ceará —, afirmou ter pensado em desistir do curso diversas vezes. "A Natália foi a principal responsável por eu não ter desistido. Ela era meu suporte, sempre me colocava pra cima quando o curso me colocava pra baixo", confessou.
Natália, por sua vez, hoje médica recém-formada pela Universidade Estadual do Ceará, contou ter recebido apoio do noivo durante as tentativas de aprovação no vestibular de Medicina. "Eu a apoiava toda hora, tinha muita confiança de que ela ia passar, mesmo quando ela se sentia insegura", disse Evilásio.
Casados civilmente desde julho, os dois aguardam a cerimônia religiosa de setembro sem revelar muitos detalhes. Natália define o noivo como "bom ouvinte". Já Evilásio descreve a futura esposa com outras palavras: "A primeira coisa que a Natália sempre faz é se colocar no lugar da outra pessoa, tentar sentir o que ela está sentindo. Isso não é só da profissão dela, é de tudo, das amizades, da vida. Ela é muito humana."
Com informações de opovo.com.br.