Agência com apuração local · publicado originalmente por Jornal de Barueri
Empreendedorismo e Investimento
Comprar empresa pronta: por que a aquisição de negócios ganha força no Brasil
Investidores apostam na compra de empresas estabelecidas para reduzir riscos e acelerar o crescimento. Entenda como avaliar o histórico financeiro e evitar ciladas ao adquirir novos negócios.
Jornal de Barueri
Redação Jornal de Barueri
Jornalista
A aquisição de empresas já estabelecidas tem se tornado uma alternativa frequente para empreendedores e investidores que buscam acelerar a entrada em novos mercados ou expandir operações. O modelo permite o acesso imediato a uma estrutura pronta, incluindo carteira de clientes, marca, equipe e histórico de faturamento, o que reduz etapas iniciais como a validação do negócio e a implantação de processos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a demografia das empresas contextualizam os desafios dos novos negócios. Segundo o instituto, entre as companhias nascidas em 2013, a taxa de sobrevivência foi de 71,9% após um ano de funcionamento, chegando a 36,3% em 2018, após cinco anos de atividade formal acompanhada pelo levantamento.
A estratégia de comprar um negócio em operação altera a natureza da análise do investidor. Em vez de validar uma operação do zero, o comprador passa a avaliar o histórico financeiro, margens, contratos e a capacidade de continuidade da empresa. O movimento também é impulsionado pelo ciclo de vida dos vendedores, que disponibilizam empresas devido a fatores como aposentadoria, sucessão familiar ou mudança de foco profissional.
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Paulo Mendonça, Head de M&A da BuyCo, explica que a transação envolve ativos que vão além da estrutura física. "Quando um comprador adquire uma empresa em funcionamento, ele não está comprando apenas ativos físicos. Em muitos casos, a transação envolve marca, clientes, equipe, processos, fornecedores e conhecimento acumulado. Esses elementos podem reduzir o tempo necessário para construir uma operação do zero", afirma.
Apesar das vantagens, especialistas reforçam a necessidade de uma análise técnica rigorosa antes da decisão. Os pontos de atenção incluem:
Faturamento e margens de lucro;
Nível de endividamento e passivos trabalhistas ou tributários;
Dependência excessiva dos sócios fundadores;
Concentração de clientes e necessidade de capital de giro.
Rafaela Rossi, cofundadora e CBO da BuyCo, destaca que o histórico operacional permite uma avaliação mais objetiva, embora não elimine riscos. "O comprador precisa entender a qualidade da receita, a recorrência dos clientes, os riscos financeiros e a dependência da gestão atual", ressalta a executiva.
O mercado de compra e venda de empresas, antes restrito a redes de relacionamento e consultorias especializadas, ganhou capilaridade com plataformas digitais. Ferramentas como a MeuBiz reúnem anúncios de negócios de diferentes portes e setores, facilitando a conexão entre vendedores e investidores interessados em crescimento inorgânico.
Para atrair compradores, a organização interna é fundamental. Segundo Paulo Mendonça, empresas com informações financeiras claras, processos documentados e baixa dependência dos fundadores são analisadas com maior profundidade e facilitam o processo de negociação, reduzindo assimetrias de informação entre as partes.