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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por BBC

Diplomacia e Pressão

Eduardo Bolsonaro pressiona Washington por sanções contra ministros do STF antes das eleições

A três semanas das eleições, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo se reuniram com Casa Branca e Departamento de Estado para retomar sanções contra Moraes, Dino e Gilmar Mendes.

Eduardo Bolsonaro pressiona Washington por sanções contra ministros do STF antes das eleições
Foto: Reprodução/BBC

BBC

Jornalista

A menos de três semanas das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para 4 de outubro, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro estiveram em Washington nesta semana para pressionar o governo americano a impor sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo participaram, na quarta (16/9) e na quinta-feira (17/9), de reuniões com representantes da Casa Branca e do Departamento de Estado. O objetivo declarado foi convencer o governo do presidente Donald Trump a retomar as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e a estendê-las aos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Moraes havia sido incluído na lista de sancionados dos EUA em julho do ano passado, com base na Lei Global Magnitsky, que prevê punições financeiras a estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos ou corrupção. Sua esposa, Viviane Barci de Moraes, também foi atingida pelas medidas. Em dezembro, após negociações entre os governos Lula e Trump, ambos foram retirados da lista.

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Nas conversas com o Departamento de Estado, Eduardo Bolsonaro abordou o julgamento em curso no STF sobre uma possível investigação da relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A sessão realizada na terça-feira (15/9) terminou sem decisão, após pedido de vista do ministro Flávio Dino, em meio a divergências e trocas de acusações entre os integrantes da Corte.

Antes de uma das reuniões, Eduardo Bolsonaro falou com jornalistas em frente ao Departamento de Estado. Sem revelar com quem se encontraria, afirmou que pretendia "trazer a realidade" do que ocorre no Brasil. Também levantou, sem qualquer manifestação do STF nesse sentido, a possibilidade de a Corte não reconhecer uma eventual vitória do seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência.

"A gente viu [na sessão de terça], quando Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes foram criticar André Mendonça, eles falaram que aquilo era uma continuação do golpe", declarou Eduardo Bolsonaro. "Se eles entenderem que a eleição do Flávio é um ato de golpismo, os EUA podem perfeitamente não reconhecer as eleições brasileiras e também sancionar individualmente esses ministros."

O ex-deputado também comentou um documento do governo Trump — revelado nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo — no qual os EUA pediam, no ano passado, que autoridades brasileiras garantissem a participação de "dissidentes políticos" nas eleições de 2026. O lado brasileiro rejeitou o termo à época, argumentando que o país é uma democracia e não possui dissidentes. Eduardo Bolsonaro indicou se considerar enquadrado nessa categoria.

No mesmo dia da sessão do STF, o deputado republicano Chris Smith, de Nova Jersey, copresidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes, enviou carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), pedindo que o órgão monitore a situação brasileira, a crise no STF e a relação entre Vorcaro e Moraes, além de se manifestar sobre a liberdade de expressão no país. Smith já havia defendido, no ano passado, a aplicação das sanções contra Moraes.

O combate ao crime organizado também esteve na pauta das conversas em Washington. Na quarta-feira, o Departamento de Estado divulgou relatório assinado por Trump que acusa o governo brasileiro de "falhar" no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). O documento trata do combate a cartéis de drogas em âmbito global, sem foco exclusivo no Brasil.

Em maio deste ano, contrariando o governo Lula, os EUA anunciaram a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. O anúncio ocorreu logo após uma visita de Flávio Bolsonaro a Washington.

A passagem de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo pela capital americana acontece em um momento em que o governo Trump acompanha de perto a crise no STF. Analistas apontam que os dois têm interlocutores em uma ala do governo americano considerada mais ideológica e alinhada à direita, que disputa espaço com um grupo mais pragmático na definição da política dos EUA em relação ao Brasil.

Com informações de BBC.

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