A inteligência artificial inaugura uma ruptura muito maior do que as provocadas pela internet, pelos smartphones e pela computação em nuvem e pode alterar rapidamente quais empresas lideram seus…
A inteligência artificial inaugura uma ruptura muito maior do que as provocadas pela internet, pelos smartphones e pela computação em nuvem e pode alterar rapidamente quais empresas lideram seus mercados, afirmou Luiz Meisler, vice-presidente executivo da Oracle para a América Latina. Para o executivo, uma das particularidades deste ciclo é que já existem sinais do que a tecnologia tornará obsoleto, mas ainda não é possível dimensionar o que surgirá em seu lugar.
Em entrevista nesta sexta-feira (15) ao programa Entrelinhas de Mercado, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Meisler também revisitou sua trajetória pessoal e profissional, que inclui empreendedorismo, consultoria, passagem pelas Lojas Americanas e quase três décadas na Oracle. Ao relacionar essas experiências às transformações atuais, defendeu conhecimento, capacidade de adaptação, foco no cliente e formação de pessoas como elementos fundamentais para atravessar mudanças tecnológicas.
‘IA não tem nada parecido’
Meisler acompanhou, ao longo da carreira, diferentes ciclos que transformaram o setor de tecnologia. A atual expansão da inteligência artificial, porém, é colocada por ele em uma categoria diferente. “IA não tem nada parecido. Nenhuma das outras foi parecida com isso. Nem perto”, ressaltou.
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A diferença, segundo o executivo, está também no grau de imprevisibilidade. Enquanto empresas conseguem identificar atividades, tecnologias e modelos ameaçados pela IA, ainda há pouca visibilidade sobre aquilo que ocupará esse espaço. “O interessante da IA é que a gente sabe o que vai desaparecer, mas não tem ideia do que vai surgir”, pontuou.
Para Meisler, essa incerteza ajuda a explicar a resistência de empresas e profissionais em avançar mais rapidamente para a nova tecnologia. “Sabemos que é um negócio totalmente diferente do que a gente tem, mas não sabemos o quê”, refletiu.
Novas empresas podem ultrapassar gigantes
A velocidade da transformação também muda, segundo Meisler, a lógica de competição entre companhias. Empresas consolidadas não têm necessariamente assegurada a posição que construíram durante décadas. “A ruptura é muito maior do que as pessoas imaginam”, alertou.
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Nesse ambiente, organizações que surgem já estruturadas em torno das novas tecnologias podem conquistar espaço rapidamente e desafiar líderes tradicionais. “Os new incomers podem se tornar os grandes protagonistas. Então, essa é uma diferença brutal”, apontou.
Meisler contrapôs esse cenário à antiga ideia de comprar uma participação em uma companhia sólida e mantê-la por décadas, esperando uma trajetória relativamente previsível de crescimento. Para ele, essa lógica perdeu força.
“Não consegue mais. Acabou”, frisou.
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O executivo lembrou que atualmente empresas podem nascer e alcançar avaliações bilionárias em apenas dois ou três anos, movimento que amplia tanto as oportunidades quanto os riscos para investidores e companhias estabelecidas.
‘Da noite para o dia leva 30 anos’
A capacidade de enfrentar transformações foi relacionada por Meisler à própria trajetória. Ele entrou na Oracle em 1998, inicialmente para comandar uma pequena estrutura de consultoria no Brasil, depois de ter ocupado posições profissionais de dimensão muito maior.
A decisão representou deliberadamente um passo atrás na carreira. O movimento, porém, abriu espaço para uma ascensão rápida dentro da companhia. “Para dar um salto, normalmente você dá uns passos atrás. E eu dei muitos passos para trás”, recordou.
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Em cerca de seis meses, Meisler passou a responder pela consultoria na América Latina. Depois assumiu a operação brasileira, avançou para responsabilidades regionais e, em aproximadamente dois anos, chegou à presidência da Oracle na América Latina.
Apesar da velocidade dessa progressão, o executivo rejeitou a ideia de sucesso repentino. “Eu digo que o da noite para o dia leva 30 anos”, observou, relacionando o avanço às experiências acumuladas anteriormente.
Resultado passa por cliente e formação de pessoas
Ao abordar sua concepção de liderança, Meisler afirmou que desempenho financeiro é indispensável, mas não deve ser tratado isoladamente. “Ninguém é compensado por não trazer resultado”, reconheceu.
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O executivo, porém, destacou que resultado não significa apenas atingir uma meta numérica. Uma das principais lições trazidas de sua experiência em consultoria, segundo ele, foi colocar o cliente no centro das decisões. “O resultado não é simplesmente um número. Você se dedicar ao cliente, colocar o cliente no seu centro”, destacou.
Outro princípio citado foi a construção de equipes e de sucessores. Para Meisler, o legado de uma liderança está diretamente relacionado à capacidade de preparar outras pessoas. “O legado está em construir gente. Não tem jeito. Construir gente, sucessão”, reforçou.
Conhecimento como ponto de partida
A trajetória pessoal também apareceu como elemento central da visão de Meisler sobre negócios. Filho de sobreviventes da guerra que emigraram da Polônia para o Brasil, ele relatou que uma crise financeira familiar o levou a Israel, onde estudou engenharia e precisou trabalhar para se sustentar.
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Foi nesse período, segundo o executivo, que consolidou uma convicção que posteriormente levaria para a carreira. “O conhecimento é tudo”, resumiu.
Antes da Oracle, Meisler passou pela consultoria, empreendeu e trabalhou nas Lojas Americanas. Ele considera essas experiências parte da formação que permitiu aproveitar oportunidades posteriores.
Ao sintetizar os valores que procura levar à gestão, destacou três conceitos que associa também à formação familiar e religiosa: “Humildade, gratidão e generosidade”.
“São as três palavras que eu repito o tempo todo. São fundamentais. É base para tudo”, concluiu.
O post Entrelinhas de Mercado: IA terá ruptura maior que internet e nuvem e mudará liderança nos negócios, diz VP executivo da Oracle apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.