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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por jornalcruzeiro.com.br

Urbanização e Demografia

RMS cresce mais rápido que SP: expansão urbana e população avançam em ritmos distintos

Dados do IBGE revelam que Ibiúna lidera expansão urbana na RMS com 33 km², enquanto região supera média estadual de crescimento populacional em 2026.

RMS cresce mais rápido que SP: expansão urbana e população avançam em ritmos distintos
Foto: Reprodução/jornalcruzeiro.com.br

jornalcruzeiro.com.br

Jornalista

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a expansão das áreas urbanizadas e o crescimento populacional seguiram ritmos distintos nos municípios da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) — e que os dois fenômenos, medidos em períodos diferentes, não podem ser comparados diretamente.

No levantamento territorial que cobre o intervalo entre 2019 e 2022, Ibiúna registrou o maior acréscimo de área urbanizada entre os municípios da região: 33,02 quilômetros quadrados. São Roque e Mairinque aparecem em seguida, com aumentos de 14,32 km² e 14,30 km², respectivamente. Sorocaba teve acréscimo de 13,46 km².

Também constam no levantamento Piedade, com 11,23 km²; Porto Feliz, com 11,04 km²; e Araçoiaba da Serra, com 10,35 km².

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Já as estimativas populacionais do IBGE, com referência em 1º de julho de cada ano, indicam que Sorocaba passou de 762.172 habitantes em 2025 para 766.390 em 2026, acréscimo de 4.218 pessoas. Votorantim foi de 133.510 para 134.103 habitantes. Araçoiaba da Serra passou de 33.832 para 33.989, e Alumínio, de 17.607 para 17.621.

Em Sarapuí, a projeção subiu de 10.677 para 10.718 habitantes, e Jumirim, de 3.132 para 3.139. Tapiraí foi o único município com redução: de 8.122 para 8.121 pessoas entre 2025 e 2026.

O professor Carlos Henrique Costa da Silva, do Departamento de Geografia, Turismo e Humanidades da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus Sorocaba, explica que os dois indicadores não medem o mesmo processo. "A expansão física da urbanização e o crescimento da população medem processos diferentes", afirma.

Segundo o professor, áreas com lotes maiores, edificações dispersas e baixa densidade podem ampliar a extensão urbanizada sem receber, proporcionalmente, muitos moradores. Imóveis de uso ocasional e espaços voltados a atividades econômicas também contribuem para essa diferença.

Costa da Silva observa que o IBGE identificou predomínio de feições pouco densas na expansão registrada entre 2019 e 2022. O padrão é compatível com uma ocupação mais dispersa, mas não permite determinar, sem informações adicionais, qual é o uso de cada empreendimento.

O professor ressalta que, para demonstrar que a área urbanizada cresceu mais rapidamente do que a população, seria necessário comparar dados referentes ao mesmo período e ao mesmo recorte territorial — o que não é possível com os levantamentos disponíveis.

Crescimento regional acima da média estadual

Em relatório sobre a dinâmica demográfica paulista elaborado a partir das estimativas do IBGE, a RMS apresentou crescimento populacional agregado de 0,4115% entre 2025 e 2026, acima do resultado estadual de 0,2109%. Dos 27 municípios da região, 26 tiveram aumento nas estimativas.

Na Região Imediata de Sorocaba — recorte territorial distinto da RMS —, o crescimento agregado foi de 0,4296%, com aumento em 21 dos 22 municípios. Tapiraí foi o único com redução, de 0,0123%, índice próximo da estabilidade.

As maiores taxas de crescimento na Região Imediata foram registradas por:

  • Capela do Alto: 0,6813%
  • Iperó: 0,6531%
  • Salto: 0,6257%
  • Boituva: 0,6108%
  • Araçariguama: 0,6005%

Sorocaba teve crescimento estimado de 0,5534% na Região Imediata. São Roque registrou aumento de 0,0258%; Alumínio, de 0,0795%; e Piedade, de 0,0461%.

No relatório, Costa da Silva relaciona o desempenho da RMS à posição da região na rede urbana paulista e à integração com as regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas, além da presença de atividades industriais, logísticas, comerciais, agrícolas e de serviços e da rede rodoviária Castelo-Raposo. O professor, porém, afirma que a contribuição específica de cada fator "precisa ser investigada", e que a identificação das causas depende de informações sobre nascimentos, óbitos, migração e eventuais revisões das bases de cálculo.

Percepções de moradores

O jornalista Nícolas Borba, morador de Mairinque desde o nascimento, relata ter percebido diferentes fases de mudança na cidade: crescimento na infância, um período de menor transformação e, mais recentemente, uma retomada gradual. Ele observa a construção de condomínios e loteamentos, maior oferta de eventos culturais e o surgimento de pequenos estabelecimentos, como barbearias, serviços de estética, padarias e docerias. Borba afirma, no entanto, não saber se os empreendimentos residenciais em construção já resultaram na chegada de novos moradores.

Em Alumínio, a jornalista Vitória Machado Arruda, moradora da cidade desde o nascimento, relata perceber menos mudanças na região central e mais transformações em áreas rurais. Ela cita a duplicação de rodovia, a implantação de retornos, o asfaltamento de ruas e a abertura de vias em direção às regiões do Irema e das Figueiras. Arruda observa que as mudanças nas áreas rurais podem ser menos perceptíveis no cotidiano de quem circula principalmente pelo centro.

Os relatos registram experiências individuais dos moradores e não substituem indicadores oficiais sobre população, emprego ou atividade econômica.

Planejamento e cautela na leitura dos dados

A análise do professor aponta que a expansão urbana dispersa pode ampliar distâncias percorridas, aumentar a dependência do automóvel e elevar os custos de implantação e manutenção de redes de água, esgoto, transporte e equipamentos públicos. Também pode intensificar a pressão sobre áreas rurais, vegetação e recursos hídricos. Esses efeitos são apresentados como possíveis consequências desse padrão de ocupação, não como impactos já mensurados nos municípios citados.

O relatório conclui que o planejamento regional deve considerar, ao mesmo tempo, o número de habitantes, a localização das novas áreas urbanizadas e as relações cotidianas entre os municípios. A comparação dos indicadores disponíveis revela diferenças de ritmo, mas a identificação dos fatores que explicam essas mudanças depende de dados mais específicos e compatíveis entre si.

Com informações de jornalcruzeiro.com.br.

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