Agência com apuração local · publicado originalmente por Poder360
Geopolítica e Soberania
Escudo das Américas: Governo Lula Alerta para Avanço da Influência dos EUA
Planalto vê pacto liderado pelos EUA como brecha para interferência política e cobiça por minerais críticos, enquanto Lula defende soberania brasileira na ONU.
Foto: Reprodução/Poder360
Poder360
Jornalista
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva considera que a declaração do Escudo das Américas, firmada na terça-feira (22.set.2026) por 15 países sob a liderança dos Estados Unidos, vai além do enfrentamento às facções criminosas e cria espaço para a ampliação da influência de Washington na América Latina. O documento foi apresentado paralelamente à Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York.
Integrantes do Palácio do Planalto veem o pacto como uma reedição da doutrina Monroe e apontam que o foco na segurança pode abrir precedentes para intervenções norte-americanas em setores estratégicos, incluindo a regulação de grandes empresas de tecnologia, a atuação da China na infraestrutura regional e a exploração de minerais críticos. A gestão federal também identifica interesses dos Estados Unidos em influenciar o cenário político e eleitoral brasileiro.
Eixos do acordo e preocupações econômicas
A declaração internacional está estruturada em três frentes: economia, segurança e coordenação multilateral. O ponto considerado mais delicado por Brasília trata da proteção das cadeias de suprimento de minerais estratégicos por meio de fontes diversificadas e confiáveis, uma vez que o território brasileiro detém a segunda maior reserva global de terras-raras, superado apenas pelos chineses.
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O texto norte-americano prevê ainda a convocação de uma reunião de consulta no Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), fundamentada no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), de 1947. O Palácio do Planalto analisa a situação com cautela e descarta, no momento, riscos de confrontos bélicos diretos, ressaltando que os instrumentos de pressão têm sido focados em sanções, bloqueios financeiros e restrições a vistos.
Posicionamento do Brasil na ONU
Em 15 de setembro de 2026, a Casa Branca encaminhou relatório ao Congresso norte-americano apontando falhas da administração brasileira no combate a grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), embora não tenha categorizado o país como produtor ou rota do narcotráfico.
Em resposta durante a abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula destacou iniciativas nacionais como a Lei Antifacção e a operação Carbono Oculto, reforçando a soberania do país sobre suas fronteiras e jazidas minerais. O mandatário também afirmou que a cooperação internacional deve focar o rastreamento financeiro e o controle do tráfego ilegal de armas.
Na ocasião, o presidente brasileiro manteve diálogos com líderes de países que aderiram ao documento promovido por Washington, incluindo os chefes de Estado do Chile, José Antonio Kast; da Bolívia, Rodrigo Paz; e da Guiana, Irfaan Ali.