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Agência com apuração local · publicado originalmente por UOL

IA e Cognição Humana

Rendição cognitiva: como a IA está apagando o pensamento crítico dos usuários

Estudos de Wharton e MIT revelam que usuários aceitam respostas erradas de chatbots em até 80% dos casos, levantando alarme sobre dependência cognitiva da IA.

Rendição cognitiva: como a IA está apagando o pensamento crítico dos usuários
Foto: Reprodução/UOL

UOL

Jornalista

Pesquisas recentes indicam que o uso de inteligência artificial pode estar reduzindo a capacidade crítica dos usuários, fenômeno que estudiosos chamam de "rendição cognitiva" — quando a pessoa aceita as respostas de um chatbot sem questionamento, delegando o raciocínio à máquina.

O termo foi cunhado por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (Wharton) e ganhou evidência a partir de um estudo publicado no primeiro semestre deste ano. No experimento, 1.372 voluntários responderam a testes de raciocínio com acesso opcional a um chatbot programado para errar cerca de metade das vezes.

Os resultados chamam atenção: mesmo quando a IA fornecia respostas incorretas, os participantes aceitavam o raciocínio do chatbot em 80% dos casos. Quando a ferramenta acertava, a taxa de aceitação subia para 93%. No total, considerando mais de 9.500 tentativas, os pesquisadores registraram aceitação de raciocínio "falho" da IA em 73,2% das vezes, enquanto a correção humana ocorreu em apenas 19,7% dos casos.

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Outro dado do estudo aponta que quem utilizou a IA ficou 11,7% mais confiante nas próprias respostas — ainda que o chatbot errasse metade do tempo. A pesquisa também identificou que incentivos e retorno imediato aumentam a chance de o usuário questionar a ferramenta, enquanto a pressão de tempo, como um cronômetro de 30 segundos, reduz essa desconfiança.

O alerta mais recente sobre o tema vem do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Um relatório elaborado por um comitê de professores e estudantes concluiu que a IA está tornando tarefas comuns, avaliações domiciliares e parte do aprendizado em sala de aula menos eficazes, pois ficou difícil distinguir o que o aluno sabe do que o chatbot é capaz de produzir.

O documento do MIT aponta ainda mudanças no comportamento estudantil: grupos de estudo estão se tornando menos frequentes e menos alunos buscam professores nos horários de atendimento. Como resposta, a instituição afirma que pretende investir em mais interação humana e reformular suas avaliações, adotando provas orais, projetos de longo prazo e portfólios.

Os números de uso entre os estudantes reforçam a preocupação: 46% dos alunos de graduação entrevistados pelo MIT afirmam usar modelos de linguagem todos os dias, e 90% dizem ter receio de se tornarem dependentes dessas ferramentas.

No debate educacional, o professor de economia de Dartmouth Paul Novosad destacou o padrão de comportamento que preocupa especialistas:

"Gosto deste termo rendição cognitiva, 'onde os alunos recorrem à IA ao primeiro sinal de dificuldade'. Precisamos encorajar os graduandos (e todos os humanos) a reconhecer esse padrão e resistir a ele", afirmou Novosad, em publicação no X.

Wendy Hensel, presidente da University of Hawaii, defendeu uma abordagem equilibrada diante do avanço da tecnologia:

"Acho que você tem que se inclinar, mas tem que fazer isso de uma forma que seja ponderada e ética e que faça as perguntas certas. A resposta certa para a IA não é apenas 'não'. Não pode ser. Tem que ser abordada com curiosidade e compreensão das implicações", disse Hensel, em declaração ao The New York Times.

O debate nas universidades aponta para um caminho que vai além da proibição: ensinar os estudantes a identificar onde a IA auxilia e onde prejudica o aprendizado, além de reformular avaliações para exigir habilidades que os chatbots não entregam sozinhos — como explicar o raciocínio em voz alta, sustentar escolhas e trabalhar em grupo.

Com informações de UOL.

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