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Proteção na Gravidez
Vacinas na Gravidez: Como a Imunização da Mãe Protege o Bebê desde o Nascimento
Entenda como a vacinação na gestação transfere anticorpos essenciais para o bebê via placenta. Confira o calendário da SBIm, vacinas recomendadas como dTpa e VSR, e os mitos sobre segurança.
Foto: Reprodução/UOL
UOL
Jornalista
A vacinação durante o período gestacional é uma estratégia fundamental para garantir a proteção dos bebês nos primeiros meses de vida. Por meio da placenta, a mãe transfere anticorpos que funcionam como uma defesa temporária para o recém-nascido, cujo sistema imunológico ainda não está totalmente amadurecido ao nascer.
De acordo com Krist Antunes Fernandes, professora da Faculdade de Medicina da PUC-RS e membro da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), a placenta funciona como uma "ponte imunitária" com uma seleção rigorosa. Ela impede que o sangue da mãe se misture ao do feto, mas autoriza a passagem de anticorpos específicos do tipo IgG, que são produzidos após a gestante ser imunizada ou enfrentar uma infecção.
A especialista esclarece que os componentes das vacinas não ultrapassam a barreira placentária. "Só atravessam a placenta aqueles anticorpos que a mãe produziu depois de ser vacinada", afirma Krist Fernandes. Dessa forma, o bebê recebe a proteção pronta, sem que o imunizante em si entre em contato com o organismo em desenvolvimento.
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Calendário e recomendações
O calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) estabelece prazos específicos para cada aplicação:
dTpa (Tríplice bacteriana): Recomendada a partir da 20ª semana de gestação para proteger contra tétano, difteria e coqueluche.
VSR (Vírus Sincicial Respiratório): Indicada a partir da 28ª semana para prevenir a bronquiolite no lactente.
Gripe (Influenza) e Covid-19: Podem ser tomadas em qualquer momento da gravidez para proteger a saúde da mãe, que fica mais vulnerável a complicações nessas doenças.
Hepatite B: Aplicada em gestantes que não foram imunizadas anteriormente.
Mayra Moura, diretora da SBIm e gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan, explica que a recomendação de aplicar certas vacinas mais tarde na gestação, como a do VSR, deve-se a uma cautela extra comum a imunizantes novos. No caso da dTpa, a antecipação para a 20ª semana visa garantir que bebês prematuros também nasçam com anticorpos contra a coqueluche.
Segurança e contraindicações
As vacinas feitas com vírus vivos atenuados, como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a contra o HPV, são contraindicadas para gestantes. O motivo é o risco teórico de os agentes enfraquecidos atravessarem a placenta e causarem a doença no feto. Outras vacinas, como contra febre amarela, hepatite A e meningites, são avaliadas apenas em situações de surtos locais.
Sobre o receio de que vacinas causem abortos, Mayra Moura recorda que, antigamente, evitava-se vacinar no primeiro trimestre apenas para que problemas naturais do período não fossem atribuídos erroneamente aos imunizantes. "A medida era justamente para que ninguém culpasse os imunizantes, evitando esse tipo de confusão", pontua a diretora.
Dados de cobertura vacinal
Dados sobre a adesão à vacina contra o VSR revelam disparidades regionais no Brasil. O Sul apresenta o maior índice de cobertura, com 89,8%, seguido pelo Centro-Oeste (88%) e Nordeste (86%). O Sudeste registra uma das menores taxas, com 82%, influenciado pelo desempenho do Rio de Janeiro, onde apenas 75% das gestantes foram imunizadas.