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Mendonça e Moraes divergem sobre mensagens citadas em relatório da PF

Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes divergiram nesta terça-feira (15), durante sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a natureza de registros usados em…

Cauê Rigamonti

Jornalista

Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes divergiram nesta terça-feira (15), durante sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a natureza de registros usados em relatório relacionado ao caso Master. Mendonça afirmou que o material analisado faz referências a Moraes e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, enquanto Moraes sustentou que não existem prints das supostas mensagens, mas apenas registros em um bloco de notas.

O embate ocorreu depois de Moraes contestar informações apresentadas durante a sessão e afirmar que assessores de Mendonça haviam levado ao ministro registros sem identificação. Moraes também argumentou que não haveria, no celular apreendido, mensagens que fizessem referência a ele e a Andrei Rodrigues.

Mendonça rebateu ao explicar como ocorre a primeira avaliação dos documentos que chegam aos gabinetes dos ministros.

Quem faz a análise preliminar das questões que estão nos processos são as assessorias. O ministro não tem tempo de ficar analisando. Ninguém foi buscar informação. Nós temos os documentos e temos os autos e temos que analisar os autos. É isso que nós temos”, afirmou.

Na sequência, Mendonça sustentou que os documentos fazem referência aos dois nomes.

Fazem, sim, referências expressas ao nome de Vossa Excelência e ao nome do Andrei Rodrigues. Falam que provavelmente seriam Vossa Excelência e Andrei Rodrigues”, disse.

Moraes diz que não há print de mensagem

Moraes interrompeu para contestar a caracterização do material como uma troca de mensagens. Segundo ele, o que consta dos documentos é um registro em bloco de notas, e não a reprodução de uma mensagem encontrada no aparelho.

Mas é um bloco de notas. Não há um print da mensagem. Não existe”, afirmou Moraes.

Mendonça insistiu na existência do registro e disse que buscaria o documento para apresentá-lo durante a própria sessão. Moraes, por sua vez, voltou a sustentar que seria necessário “ler o IPJ com calma” para verificar a natureza do material.

A diferença é relevante porque o debate envolve o que efetivamente foi encontrado no material apreendido e como esses registros foram interpretados na análise do caso. Mendonça sustenta que os autos contêm referências expressas que precisam ser consideradas pelo tribunal. Moraes diferencia essas referências de mensagens efetivamente localizadas no aparelho, argumentando que uma anotação em bloco de notas não equivale, por si só, a um print ou registro de uma conversa.

Antes do confronto direto entre os dois ministros, Moraes havia afirmado que o episódio reforçaria sua alegação de tratamento diferenciado entre autoridades em situações semelhantes. Ele também contestou a ideia de que houvesse elementos que justificassem uma investigação formal contra ele.

A discussão ocorreu durante a sessão extraordinária em que o plenário do STF debate questões processuais relacionadas aos procedimentos envolvendo ministros da própria Corte e a possível abertura de investigação sobre a conduta de Alexandre de Moraes.

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