Após 44 anos no zoo de Sorocaba, elefante Sandro foi transferido ao Santuário de Elefantes Brasil em meio a protestos, uso de gás de pimenta e cenas de comoção.
O elefante Sandro deixou o Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, na manhã desta quarta-feira (16), em meio a protestos, uso de gás de pimenta pela polícia e cenas de choro entre funcionários e moradores. O destino é o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT), após anos de disputa judicial envolvendo a prefeitura, o Ministério Público e a instituição.
A operação estava prevista para as 8h, mas começou apenas às 10h. O atraso ocorreu porque o capim fornecido ao animal — que precisava se alimentar antes do procedimento — chegou fora do horário habitual. A equipe do santuário estranhou a situação, já que as entregas costumam ser diárias e pontuais.
Sandro entrou voluntariamente na caixa de transporte, segundo representantes do SEB, que acompanhavam a adaptação do animal nos dias anteriores. O presidente do santuário, Raphael Bontempi Ferreira, classificou o processo como positivo.
"O Sandro foi, de todos os elefantes, o que mais rápido se adaptou e entrou na caixa de transporte. Por isso, estamos positivamente e extremamente surpresos com o comportamento dele", afirmou Ferreira.
O fundador do santuário, Scott Blais, também comentou a postura do animal durante a preparação: "Há pessoas no mundo que forçam elefantes a entrar, mas forçar só gera um animal bravo. Eu gosto de elefantes tranquilos."
Com a caixa içada por um guindaste e fixada ao caminhão, o último tratador de Sandro, Sérgio Ricardo Domingues Filho, tentou se despedir do animal, mas não conseguiu concluir a alimentação de encerramento por causa do choro. Outros funcionários do zoológico precisaram retirá-lo do local. Posteriormente, já com o animal dentro do contêiner, Sérgio conseguiu alimentá-lo pela última vez por uma abertura na estrutura.
Ainda emocionado, o tratador falou sobre a despedida: "É difícil se despedir de um amigo, difícil, cara... É bem difícil." Mesmo assim, reconheceu que a condução do processo foi adequada: "Eles fizeram do jeito certo, do jeito que a gente aprovou."
Do lado de fora do zoológico, a saída do caminhão foi marcada por tensão. Parte da multidão tentou bloquear a passagem do veículo. A Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal atuaram na operação, com fechamento de vias próximas, e a PM utilizou gás de pimenta para dispersar os manifestantes. Entre os gritos ouvidos estavam "Fica, Sandro!" e insultos direcionados aos funcionários do santuário.
Representantes do SEB afirmaram que alguma resistência da população é relativamente comum nesse tipo de transferência, mas que foi a primeira vez que enfrentaram um protesto com tamanha agressividade.
Influenciadores digitais presentes no local gravaram vídeos durante a operação. Em alguns momentos, houve troca de ameaças entre criadores de conteúdo e a equipe do santuário, com intervenção policial para conter a situação.
O prefeito Rodrigo Manga (sem partido) acompanhou a vigília na madrugada de terça para quarta-feira, organizando um acampamento em frente ao zoológico. Durante a noite, leu versículos da Bíblia ao lado de apoiadores. A GCM permaneceu no local durante todo o período. Vereadores também passaram pelo zoológico ao longo da manhã.
Durante a retirada da caixa, o guindaste atingiu e danificou parte da concertina do zoológico. A administração municipal informou que tomará providências para o reparo.
Manga não estava presente no momento da retirada de Sandro. A prefeitura informou que ele cumpria compromissos previamente agendados. O município também tentou barrar a transferência por vias judiciais, sem obter resposta a tempo: "O Município apresentou recursos, bem como pedido de suspensão da ordem judicial para que o elefante Sandro permaneça em Sorocaba, e aguarda a decisão da Justiça."
Logo após a saída do animal, uma equipe iniciou a instalação de uma estrutura metálica no recinto. A prefeitura informou que o espaço receberá uma homenagem a Sandro, com fotos, vídeos e registros dos 44 anos em que o elefante viveu no zoológico. O uso futuro do espaço não foi definido.
O trajeto até a Chapada dos Guimarães é de aproximadamente 1.600 quilômetros e deve levar cerca de dois dias e meio. O comboio passará por cidades como Assis, Presidente Prudente e Campo Grande, com paradas programadas. A caixa de transporte conta com sistema de ar-condicionado, janelas ajustáveis, compartimentos para alimentação, água e limpeza, além de câmeras internas para monitoramento contínuo.
Ao chegar ao destino, Sandro passará por período de adaptação e avaliação de saúde. Entre os procedimentos previstos estão exames de sangue que não puderam ser realizados em Sorocaba, pois o animal não havia sido condicionado para permitir a coleta.
Com informações de jornalcruzeiro.com.br.