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Zanin vê ‘inversão lógica’ em analisar caso Moraes antes de questão sobre Mendonça

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) que analisar a abertura de investigação sobre a conduta de Alexandre de Moraes antes de resolver uma…

Cauê Rigamonti

Jornalista

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) que analisar a abertura de investigação sobre a conduta de Alexandre de Moraes antes de resolver uma questão pendente envolvendo André Mendonça representaria uma “inversão lógica dos atos processuais”.

A manifestação ocorreu durante a sessão extraordinária do STF que discute se há elementos para autorizar a abertura de investigação sobre Moraes. Ao acompanhar a questão de ordem levantada durante o julgamento, Zanin sustentou que o tribunal precisa primeiro esclarecer dúvidas processuais capazes de produzir efeitos sobre a própria análise do caso.

Parece que julgar ou analisar aqui o início, autorização de investigação, sem saber se a suspeição será ou não reconhecida, seria uma inversão lógica dos atos processuais”, afirmou.

Segundo Zanin, a possibilidade de reconhecimento da suspeição de André Mendonça já havia sido mencionada em decisão do presidente do STF, Edson Fachin, ao assumir a relatoria do procedimento. Para o ministro, essa questão precisa ser resolvida porque poderá produzir consequências jurídicas sobre atos praticados anteriormente.

O reconhecimento da suspeição, como sabemos, poderá também ter consequências jurídicas”, disse.

Zanin afirmou que esse ponto foi “determinante” para sua posição na questão de ordem. Na avaliação do ministro, o Supremo não deveria deliberar sobre a abertura da investigação enquanto ainda estiver pendente a definição sobre a legitimidade de atos que antecederam a análise pelo plenário.

Não é possível deliberarmos sobre algo que está, digamos assim, ainda sujeito à verificação se esses atos foram praticados de forma legítima”, afirmou.

O ministro ressaltou que não estava antecipando sua posição sobre a eventual suspeição de Mendonça. Segundo ele, a preocupação naquele momento era preservar a sequência adequada das decisões que precisam ser tomadas pela Corte.

Não estou aqui antecipando a posição. Estou apenas aqui, a partir do que afirmou Vossa Excelência em decisão, dizendo que temos que seguir uma lógica dos atos processuais”, disse.

Zanin acrescentou que a reunião dos procedimentos, discutida durante a sessão a partir das manifestações de Flávio Dino e Gilmar Mendes, permitiria ao Supremo preservar essa sequência.

Eu penso que poderá também permitir que esse encadeamento lógico procedimental seja observado”, afirmou.

Ao iniciar sua manifestação, Zanin disse que acompanhava a posição apresentada por Dino na questão de ordem e afirmou que os debates realizados ao longo da sessão revelaram “muitas dúvidas e perplexidades”. Segundo ele, a discussão preliminar poderia permitir que essas questões fossem superadas antes da análise do caso dentro das garantias do devido processo legal.

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