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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por InfoMoney

Segurança e Inovação

Biometria das veias da palma da mão é a nova fronteira da segurança digital

Tecnologia lê veias, fluxo sanguíneo e estrutura da mão com precisão mil vezes maior que a facial, prometendo substituir cartões e documentos.

Biometria das veias da palma da mão é a nova fronteira da segurança digital
Foto: Reprodução/InfoMoney

InfoMoney

Jornalista

A biometria da palma da mão surge como nova alternativa de autenticação para operações presenciais, impulsionada pelas limitações da biometria facial diante do avanço das fraudes digitais e dos deepfakes gerados por inteligência artificial.

A tecnologia lê o formato da mão, as linhas da pele, os padrões das veias abaixo da superfície e o fluxo sanguíneo. Sensores ópticos e infravermelhos captam essas informações: a hemoglobina absorve luz infravermelha próxima, fazendo com que as veias apareçam como linhas escuras sob a pele e formem um padrão único por pessoa.

"Quando o assunto é sistemas presenciais, a biometria palmar passou a crescer rapidamente porque combina a geometria da mão com a leitura do fluxo sanguíneo. Isso permite inclusive prova de vida durante a autenticação", afirma Marco Zanini, CEO da DINAMO Cyber Security Company.

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Para Zanini, o rosto se mostrou uma biometria vulnerável com o tempo. "O rosto era uma biometria muito fácil de utilizar porque a câmera é universal. Parecia que tínhamos descoberto o ovo de Colombo. Mas começamos a perceber que o rosto é uma biometria altamente exposta. Você encontra centenas de imagens das pessoas na internet e as fraudes baseadas em biometria facial passaram a ser grandes", diz o executivo.

Precisão e velocidade

A plataforma PalmAI, desenvolvida pela Tencent, apresenta taxa de falsa aceitação inferior a 0,0000001% e taxa de falsa rejeição inferior a 0,01%, segundo a empresa. O processo completo de autenticação ocorre em menos de 300 milissegundos.

João Santos, CEO da TREEAL — empresa que utiliza a tecnologia PalmAI e tem parceria com a Positivo para fabricação de equipamentos integráveis a terminais de pagamento —, compara os índices com os da biometria facial.

"A biometria facial tem o que é chamado de índice de falso positivo, algo em torno de 10⁻³. Ou seja, 0,001. Para cada mil, uma vai ter uma falha. Na biometria da palma da mão, estamos falando de 10⁻⁶. Ou seja, a cada um milhão, uma poderia ter uma falha. Hoje a biometria palmar acaba tendo uma assertividade mil vezes maior do que a facial", afirma Santos.

O executivo destaca que a leitura vai além de uma imagem. "Não é só uma foto. Com a nossa tecnologia, levantamos mais de 40 itens diferentes, desde pressão sanguínea, índice de veias, músculos, nervos e a própria estrutura da mão. Você não consegue reproduzir uma mão passando sangue, com pressão sanguínea e uma série de outras coisas que nós capturamos", completa.

Uso no mundo e no Brasil

Na China, a tecnologia já está presente em estabelecimentos comerciais, estações de metrô e ambientes corporativos. Segundo a Tencent, a solução soma mais de 50 milhões de usuários ativos, mais de 2 bilhões de transações processadas e mais de 200 mil pontos de uso.

Um dos casos citados é a adoção em 1.500 lojas da rede 7-Eleven China, onde a iniciativa aumentou em 25% a eficiência dos caixas em horários de pico e levou 70% dos usuários a escolherem a palma da mão como método preferencial de pagamento, de acordo com a empresa.

No Brasil, foi realizado em 2025 um projeto piloto no metrô de Brasília para 3 mil usuários com gratuidade, como idosos.

A mão como substituta do cartão

A proposta da indústria para o longo prazo é que a mão passe a reunir funções hoje distribuídas entre celular, cartão e documento.

"A ideia é que a sua mão passe a ser o seu cartão. Você consegue associar à sua mão o cartão de crédito, o Pix. Em vez de levar celular, cartão ou documento, você usa a própria mão para validar a operação", afirma Santos.

O executivo exemplifica: "Imagine que você poderia chegar a um show, entrar apenas com a autenticação pela mão, depois comprar uma bebida da mesma forma ou acessar uma área específica. No final, a sua mão serviria tanto para identificar quem você é quanto para fazer pagamentos."

Custos e modelo de negócio

Os sensores palmares variam de aproximadamente US$ 70 a US$ 300 por unidade, segundo Zanini. Na prática, porém, a comercialização tende a ocorrer por contratos de serviço.

"Quando você vai para transporte público ou qualquer outro ambiente de alto volume, você não vende um sensor, mas um serviço de autenticação. Com isso, pensamos em cinco ou dez centavos por usuário por mês e não no preço do equipamento", explica o CEO da DINAMO.

Santos reforça que a cobrança pode ser feita por transação ou por mão registrada. "A ideia é que o custo seja muito próximo do que já existe hoje em meios de pagamento", diz.

Múltiplas camadas de verificação

Os especialistas não preveem a substituição completa das tecnologias atuais. Para Zanini, o mercado caminha para sistemas com múltiplas camadas de verificação de identidade.

"Hoje as técnicas são de múltiplos fatores de autenticação. Dependendo da transação, são adicionadas novas verificações para ter cada vez mais certeza de que aquela pessoa é quem diz ser", afirma.

Nesse cenário, cresce também o interesse pela biometria comportamental, que analisa a forma como o usuário interage com dispositivos. "Existem mecanismos que conseguem perceber se a forma como você está mexendo no celular é a forma que normalmente você usa. Duas pessoas terem exatamente o mesmo jeito de utilizar um dispositivo é muito difícil", diz Zanini.

Para Santos, o futuro será de "multibiometrias". "Tudo vai depender da complexidade e do risco daquela operação", finaliza.

Com informações de InfoMoney.

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