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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por UOL

Tecnologia e Seguros

Data centers viram risco de seguro: barulho gera processos e preocupa seguradoras

Ruído de data centers de hiperescala cresce como risco de responsabilidade civil, forçando seguradoras a rever apólices e incluir coberturas específicas contra poluição sonora.

Data centers viram risco de seguro: barulho gera processos e preocupa seguradoras
Foto: Reprodução/UOL

UOL

Jornalista

O ruído gerado por data centers está se tornando um risco crescente de responsabilidade civil para o setor de seguros. A avaliação é de Cameron Douglass, diretor regional do grupo de prática ambiental da corretora Gallagher, que alertou para o aumento de reclamações à medida que essas instalações são construídas cada vez mais próximas a áreas residenciais.

Segundo Douglass, o problema deixou de estar associado apenas à fase de obras e passou a ser uma preocupação operacional. Data centers de grande porte, incluindo os chamados de hiperescala, demandam mais equipamentos de refrigeração e geração de energia de reserva — infraestruturas que produzem mais ruído do que os modelos tradicionais.

"As reclamações estão se tornando mais organizadas; elas estão atraindo a atenção do meio jurídico", afirmou Douglass. "Certamente isso será cada vez mais tratado como um risco potencial de responsabilidade civil, em vez de apenas um incômodo."

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O cenário levanta dúvidas sobre quais apólices de seguro dariam cobertura a esse tipo de reclamação. Historicamente, o ruído era enquadrado em apólices de responsabilidade civil comercial geral, mas algumas seguradoras já começam a responder a essa exposição com exclusões, franquias mais altas ou sublimites.

No segmento ambiental, as seguradoras passaram a considerar riscos relacionados a incômodos como odores, vibração e luz. Ainda assim, a cobertura explícita para ruído não é generalizada.

"Se uma apólice de responsabilidade civil geral contiver limitações relacionadas à poluição e uma apólice ambiental não abordar expressamente o ruído, então o segurado poderá se ver diante dessa complicada discussão sobre cobertura", disse Douglass.

A Gallagher já negocia com seguradoras ambientais a inclusão de cobertura expressa contra ruído. De acordo com Douglass, as seguradoras estão analisando com mais atenção fatores como:

  • Proximidade de comunidades residenciais
  • Existência de reclamações anteriores
  • Requisitos de zoneamento local
  • Estudos acústicos
  • Medidas de mitigação de ruído adotadas pelas instalações

Douglass ponderou que ainda é cedo para traçar um panorama completo das reclamações ligadas ao ruído de data centers. No entanto, alertou que ações judiciais semelhantes envolvendo instalações com equipamentos ou práticas operacionais em comum poderiam, no futuro, gerar preocupações de agregação de riscos para as seguradoras.

Com informações de UOL.

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