Agência com apuração local · publicado originalmente por UOL
Morte de artista icônico
Peter Max, ícone da arte psicodélica dos anos 1960, morre aos 88 anos
Artista plástico símbolo do movimento flower power, Peter Max faleceu nos EUA após enfrentar demência avançada. Seu legado marcou décadas com cores e criatividade.
Foto: Reprodução/UOL
UOL
Jornalista
O artista plástico Peter Max, um dos principais nomes da arte psicodélica e símbolo do movimento flower power dos anos 1960, morreu na última segunda-feira (14), aos 88 anos, nos Estados Unidos. A morte foi confirmada por seu filho Adam e divulgada pela agência Associated Press (AP). A causa exata não foi revelada, mas Max enfrentava demência avançada nos últimos anos.
Reconhecido mundialmente por suas composições visuais em espiral e paletas de cores intensas, o artista tornou-se um ícone da contracultura. Sua obra estampou selos postais, capas de listas telefônicas, um navio de cruzeiro e até um avião Boeing 777.
Max também foi escolhido como pintor oficial de grandes eventos esportivos internacionais, tendo assinado artes para os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo de futebol, o Super Bowl e as 500 Milhas de Indianápolis. Entre seus trabalhos figurativos, estão retratos de presidentes americanos e da cantora Taylor Swift.
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Em homenagem ao pai, Adam Max destacou o legado humano e criativo do artista. "Vamos nos lembrar de sua extraordinária criatividade, seu carinho, sua curiosidade e a maneira como ele enxergava beleza e possibilidades em todos os lugares", declarou.
Uma vida marcada por fugas e recomeços
Nascido na Alemanha em 1937, de origem judaica, Max precisou deixar o país ainda bebê por causa do regime nazista. Antes de se fixar em Nova York aos 16 anos, sua família passou por Xangai, Tibete, Israel e Paris.
Na cidade americana, ele estudou arte e abriu um estúdio de design gráfico em 1961. O estilo vibrante e ousado rapidamente atraiu agências de publicidade e empresas, resultando em mais de 70 linhas de produtos licenciados.
O volume excessivo de trabalho comercial chegou a incomodar o próprio artista no início dos anos 1970, levando-o a interromper os negócios por um período para retornar à pintura. A fase rendeu uma série de retratos da Estátua da Liberdade, produzida a convite da Casa Branca em 1981.
Problemas com a Justiça e turbulências pessoais
Apesar do sucesso, a trajetória de Max foi marcada por episódios difíceis. Em 1997, ele se declarou culpado de fraude fiscal por ocultar da Receita Federal americana cerca de US$ 1 milhão em rendimentos. Como punição, recebeu uma multa de aproximadamente US$ 30 mil, cumpriu serviços comunitários, ficou sujeito a regime de trabalho externo e teve de quitar os impostos devidos.
Os últimos anos de vida foram ensombrecidos por uma disputa judicial entre sua segunda esposa e seus filhos, com acusações mútuas de maus-tratos e dilapidação de patrimônio. O caso ganhou repercussão na imprensa e terminou de forma trágica: a esposa do artista, Mary Max, tirou a própria vida em 2019.