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Prevenção e Genética
Câncer hereditário: quando o histórico familiar exige exames e cuidados específicos?
Entre 5% e 10% dos casos de câncer são hereditários. Especialistas explicam os sinais de alerta no histórico familiar e os riscos de realizar exames de rastreamento sem a devida indicação médica.
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Jornalista
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que entre 5% e 10% dos casos de câncer estão relacionados a fatores hereditários. Embora a herança genética seja um fator de risco, especialistas esclarecem que o diagnóstico de um parente não significa, necessariamente, que todos os familiares precisam antecipar seus exames de rastreamento.
A suspeita de uma síndrome de câncer hereditário surge a partir da análise do histórico clínico e do padrão de doenças nos antepassados. De acordo com o médico epidemiologista do Inca, Arn Migowski, alguns sinais servem de alerta para uma avaliação especializada. "Vários casos no mesmo lado da família, diagnósticos em idades mais jovens e mais de um tumor primário na mesma pessoa estão entre os sinais que podem justificar uma avaliação especializada", explica.
Os principais tipos de câncer associados a alterações genéticas transmissíveis são:
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Mama e ovário;
Intestino (colorretal);
Próstata;
Pâncreas.
No caso do câncer de mama, chamam a atenção diagnósticos em homens, tumores em ambas as mamas ou casos de tumores triplo-negativos. Já no câncer colorretal, a presença de múltiplos pólipos ou diagnósticos antes dos 50 anos pode indicar condições como a síndrome de Lynch ou a polipose adenomatosa familiar.
A investigação de risco geralmente começa pela pessoa da família que já desenvolveu a doença. Se uma variante genética for identificada, os parentes próximos podem realizar o chamado teste em cascata. Segundo a oncologista Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), essa estratégia busca mutações específicas em vez de realizar uma investigação ampla, o que reduz custos e evita procedimentos desnecessários.
Especialistas alertam que realizar exames de rastreamento sem indicação médica pode trazer riscos à saúde. "Realizar um exame de rastreamento sem indicação adequada pode aumentar o número de falsos positivos e levar à ansiedade, biópsias desnecessárias e possíveis complicações", afirma Clarissa Baldotto. Além disso, a repetição excessiva de exames como a mamografia aumenta a exposição à radiação ionizante.
Recentemente, o Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o teste genético para os genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres diagnosticadas com câncer de mama. A medida visa orientar o tratamento das pacientes, mas ainda não contempla a testagem de familiares saudáveis na rede pública. O acesso a esses exames no Brasil segue concentrado em grandes centros de oncologia com áreas especializadas em oncogenética.