Agência com apuração local · publicado originalmente por OBemdito
Alerta Médico
Canetas emagrecedoras sem endocrinologista podem causar internações graves, alerta especialista
Endocrinologista alerta que semaglutida e tirzepatida sem supervisão médica causam perda muscular, cálculos e efeito rebote. Saiba os riscos.
Foto: Reprodução/OBemdito
OBemdito
Jornalista
O uso das chamadas canetas emagrecedoras sem orientação médica especializada tem aumentado o número de internações por complicações graves no Brasil. O alerta é da médica endocrinologista Dra. Carolina Ziliotto, que atua em Umuarama, no Paraná, e adverte que medicamentos seguros podem se tornar uma ameaça séria à saúde quando utilizados de forma incorreta.
As canetas emagrecedoras pertencem a duas grandes famílias de fármacos. A primeira é baseada na semaglutida, substância que imita o hormônio intestinal GLP-1. A segunda tem como base a tirzepatida, presente em medicações como o Mounjaro, que age de forma dupla no organismo ao estimular tanto o receptor GLP-1 quanto o receptor GIP, conferindo maior potência no processo de perda de peso.
Os dois tipos de medicamento funcionam reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento do estômago, o que provoca sensação de saciedade com quantidades menores de alimento. Também promovem a redução de gordura abdominal e visceral.
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Quem pode usar
As indicações clínicas formais são para pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30, ou acima de 27 quando há comorbidades associadas. Recentemente, a presença de gordura no fígado também passou a ser contemplada como critério de indicação.
Riscos do uso sem acompanhamento
A perda de peso acelerada e sem supervisão adequada esconde perigos significativos. Entre os principais riscos estão:
Perda de massa muscular junto com a gordura, o que reduz a força e desacelera o metabolismo;
Formação de cálculos na vesícula biliar, que podem se deslocar e provocar crises severas de pancreatite;
Efeito rebote ao interromper o medicamento, já que o organismo tende a recuperar o peso perdido por meio de adaptação biológica — aumentando a fome e reduzindo o gasto energético.
Tratamento exige mais do que o remédio
Segundo a especialista, o medicamento isolado não é suficiente para garantir resultados seguros e duradouros. O tratamento adequado envolve reeducação alimentar com ênfase no consumo de proteínas, para preservar a musculatura, além da prática regular de exercícios de resistência, como a musculação. A suplementação nutricional também pode ser necessária para evitar deficiências de vitaminas.
A obesidade é classificada como uma doença crônica sem cura, o que exige estratégias contínuas de tratamento. Em muitos casos, doses de manutenção do medicamento são necessárias mesmo após a perda de peso.
Atenção à saúde hormonal
A endocrinologista também chama atenção para o uso inadequado da reposição hormonal. Indicada para aliviar sintomas da menopausa e da andropausa, ela deve ser prescrita apenas com base em critérios clínicos claros e nunca utilizada com fins estéticos. A automedicação nesse campo representa riscos graves para o coração e o fígado.