Agência com apuração local · publicado originalmente por Times Brasil
Geopolítica e Meio Ambiente
Guerra e Petróleo: Como as Crises Globais Ameaçam a Transição Climática
Tensões no Oriente Médio e disputas energéticas enfraquecem a agenda ambiental internacional e pressionam debates sobre petróleo, aponta Carlo Pereira.
Foto: Reprodução/Times Brasil
Cauê Rigamonti
Jornalista
O aumento dos conflitos armados no cenário internacional tem enfraquecido os debates climáticos nas cúpulas globais e elevado as incertezas no setor energético e no comércio exterior, especialmente por conta das tensões no Oriente Médio. A análise foi apresentada nesta quarta-feira (23) por Carlo Pereira, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, durante o quadro Capital Sustentável.
De acordo com o especialista, embora o governo do Irã tenha emitido sinais recentes favoráveis a saídas diplomáticas, o país segue impondo condições estratégicas para as negociações, como a manutenção do domínio sobre o Estreito de Hormuz. “O Irã, nas últimas semanas, principalmente nos últimos dias, vem dizendo que está aberto à diplomacia, dizendo que quer negociar. Mas, ao mesmo tempo, colocou que não abre mão de alguns pontos, como, por exemplo, o controle de Hormuz”, afirmou.
Impactos no abastecimento de petróleo
O Estreito de Hormuz concentra grande preocupação internacional por ser a rota de aproximadamente 20% do petróleo consumido globalmente. Como alternativa para diminuir a dependência dessa passagem, a Arábia Saudita tem direcionado parte de seu volume de petróleo por meio de um oleoduto rumo ao oeste de seu território.
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Essa rota de desvio, no entanto, também convive com ameaças decorrentes da instabilidade no Iêmen e da presença dos houthis nas proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb. Sobre o quadro regional, Carlo Pereira pontuou que “a gente ainda está naquele momento de bastante preocupação e muita volatilidade naquela região. Acho que ainda não tem nada para comemorar”.
Exploração na Margem Equatorial
Ao abordar a exploração petrolífera na Margem Equatorial brasileira frente às metas ambientais do país, o comentarista afirmou não enxergar incoerência no avanço da atividade após o Brasil ter sediado a COP30. Ele reconheceu que a queima de fósseis é o fator de maior impacto para a crise do clima, mas ponderou que o modelo econômico global ainda não suporta um corte imediato dessa produção.
O especialista indicou que o país possui reservas comprovadas para cerca de 11 anos de extração e defendeu o uso dos ganhos financeiros dessa indústria para financiar o progresso social e a transição da matriz energética. “A questão também é fazer um uso adequado desse petróleo para desenvolver a nossa população e utilizar esse petróleo também para a transição energética”, destacou.
Perda de espaço nas cúpulas internacionais
Apesar da realização da Climate Week em Nova York simultaneamente à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Carlo Pereira avalia que a urgência ambiental tem sido ofuscada pelas crises militares em fóruns de relevância internacional.
“Quando a gente olha o clima no G7, no G20, a gente vê que o tema desapareceu da pauta. Mas por quê? Porque a gente está num mundo conflagrado”, ressaltou. Segundo sua análise, as prioridades governamentais têm se voltado para tópicos imediatos de defesa, segurança e energia, o que impõe barreiras ao avanço dos compromissos ecológicos.