Agência com apuração local · publicado originalmente por Terra
Alerta Oncológico
Câncer de pâncreas avança entre jovens: estudo alerta para epidemia até 2040
Pesquisa brasileira e canadense revela crescimento alarmante do câncer de pâncreas em menores de 50 anos, ligado a obesidade, fumo e ultraprocessados.
Foto: Reprodução/Terra
Terra
Jornalista
Um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e do Canadá aponta que os casos de câncer de pâncreas entre pessoas com menos de 50 anos devem crescer nas próximas décadas, assim como as mortes provocadas pela doença nessa faixa etária. A pesquisa foi publicada na revista científica JCO Global Oncology e baseada em dados do Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study, levantamento que reúne informações de 204 países e territórios.
Segundo os resultados, o câncer de pâncreas de início precoce pode se tornar um dos principais desafios de saúde global até 2040. A maioria dos diagnósticos ainda ocorre após os 55 anos, mas o avanço da doença entre os mais jovens preocupa especialistas.
"De fato, temos percebido uma elevação nos casos em pessoas com menos de 50 anos e isso se deve ao estilo de vida que envolve importantes fatores de risco para a enfermidade, como obesidade, fumo e excesso no consumo de álcool e alimentos ultraprocessados", afirma o oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
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Doença silenciosa e letal
O tumor de pâncreas está entre os mais letais: a taxa de sobrevida em cinco anos é inferior a 20%. Um dos motivos para esse índice elevado é o caráter silencioso da doença.
"Em grande parte das vezes, a doença é assintomática e sua identificação consiste em exames de rotina, como os de sangue ou o ultrassom de abdômen", explica o oncologista Diogo Bugano, especialista em tumores do trato gastrointestinal do Einstein Hospital Israelita.
Quando os sintomas aparecem — como náuseas, dor na região do estômago que pode irradiar para as costas, perda de peso inexplicada e icterícia —, o tumor geralmente já se encontra em estágio avançado.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 13.240 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
Grupos de risco
Alguns perfis concentram maior vulnerabilidade ao desenvolvimento da doença. Entre eles estão:
Pessoas com histórico familiar de câncer de pâncreas;
Portadores de mutações nos genes BRCA;
Diabéticos tipo 2, especialmente com início do diagnóstico após os 40 anos;
Pessoas com dor persistente nas costas sem causa ortopédica;
Fumantes e consumidores frequentes de álcool;
Indivíduos com dieta desequilibrada.
Diagnóstico e tratamento
Além dos exames de rotina, a confirmação do diagnóstico pode envolver tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassonografia endoscópica e biópsia.
O tratamento varia conforme o estágio e a localização do tumor, mas geralmente inclui quimioterapia, radioterapia, cirurgia e terapias-alvo — medicamentos que atuam sobre mecanismos específicos das células cancerígenas.
Novas abordagens estão em desenvolvimento. "Um exemplo são os inibidores de KRAS, que estão sendo estudados em várias partes do mundo e devem chegar ao Brasil até o ano que vem", relata Bugano. Segundo o médico, essa mutação genética está presente em 90% dos casos e leva ao crescimento celular descontrolado.
"Também avançam novas quimioterapias, que conseguem penetrar mais profundamente no tecido do tumor, normalmente com menos toxicidade", acrescenta o especialista do Einstein.