Agência com apuração local · publicado originalmente por Poder360
Crise no Judiciário
Ministro do STJ: crise no STF afasta investidores e supera prejuízo do Banco Master
Magistrado Gambogi afirma que brigas internas no Supremo geram insegurança jurídica e causam perdas econômicas maiores que o rombo do Banco Master.
Foto: Reprodução/Poder360
Poder360
Jornalista
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) causa ao Brasil um prejuízo econômico maior do que o rombo gerado pelo caso do Banco Master no sistema financeiro nacional. A avaliação é do ministro substituto Luís Carlos Gambogi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), feita nesta quarta-feira (16.set.2026).
Gambogi fez a declaração durante o Congresso Internacional de Direito Minerário, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Para ele, as disputas internas no Supremo projetam uma imagem negativa do país no exterior e afastam investidores estrangeiros.
"O prejuízo que o Brasil sofre com esses episódios danosos de mau funcionamento das nossas instituições custa um preço absurdo. Um preço, talvez, muito maior do que esse problema do Banco Master. É uma soma extraordinária, mas, comparada à perda de recursos que poderiam vir com investimento, é muito maior que esse episódio que deriva do Master", afirmou o ministro.
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O magistrado mencionou especificamente a sessão do dia anterior, na terça-feira (15.set), em que ministros do STF trocaram ofensas entre si. Segundo Gambogi, cenas como essa, quando repercutidas na imprensa internacional, geram sensação de insegurança jurídica e inibem aportes externos.
Como exemplo, ele citou o setor de mineração. "Se uma pessoa que está em vias de estudar um processo de mineração do potássio, por exemplo, que é um mineral de que o Brasil precisa muito por causa da nossa agricultura, ela diz: 'Nesse país em que a Suprema Corte está brigando entre si, que segurança eu vou ter? Faço o meu investimento e de repente a legislação muda e eu vou perdendo o meu capital'", declarou.
Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Gambogi atua no STJ desde março deste ano, quando foi convocado para substituir o ministro Marco Buzzi, afastado após um caso de importunação sexual.
Reforma no Judiciário
Questionado sobre possíveis mudanças na estrutura do Judiciário, Gambogi defendeu o fortalecimento do Senado Federal, casa responsável pela sabatina e aprovação dos indicados aos tribunais superiores.
O ministro citou os Estados Unidos como referência, onde, segundo ele, os candidatos a cargos no Judiciário passam por investigações da CIA e por processos de aprovação mais rigorosos.
"É preciso fortalecer o Senado, que foi criado para que fosse provido por homens de larga experiência pública. Em princípio, governadores de Estado, pessoas que têm um notório saber jurídico, notório saber do campo de engenharia, essas seriam as pessoas que seriam votadas para o Senado. Infelizmente, nós temos essa deformação também. Algumas vezes conseguimos eleger pelo menos governadores. Mas no mais, é o radialista, é o candidato mais popular que vai para o Senado. Daí a razão de começar tudo errado", declarou.