Moeda americana avançou 0,14% sobre o real, cotada a R$ 5,15. Ibovespa subiu 0,54%. Títulos da dívida americana e petróleo dispararam
O dólar manteve-se estável em relação ao real nesta terça-feira (15/9). Ao fim da sessão, a moeda americana registrou leve alta de 0,14%, cotada a R$ 5,15. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa (B3), subiu 0,54%, aos 186,5 mil pontos.
O desempenho dos mercados de câmbio e de ações mostrou um razoável bom humor e apetite por risco dos investidores. Isso se considerada a abundância de pontos de tensão, tanto no cenário interno como no externo, que pairavam sobre o pregão.
A lista de entraves incluía a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o acirramento das tensões no Oriente Médio (com consequente alta do petróleo), além da cautela diante da definição dos juros básicos nos Estados Unidos e no Brasil — ambos serão definidos nesta “Superquarta” (16/9).
Guerra
No caso da guerra entre Estados Unidos e Irã, houve um acirramento dos conflitos em toda a região. Grupos houthis, a milícia armada de origem iemenita, executaram novos ataques contra cidades e uma base militar da Arábia Saudita, que emitiu alertas de segurança para várias regiões, incluindo a cidade sagrada de Meca.
As investidas dos houthis na Arábia Saudita tiraram de operação o oleoduto leste-oeste, uma alternativa para o transporte de petróleo, depois do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto da produção mundial da commodity. O problema saudita amplia o risco de desabastecimento e a pressão inflacionária global.
Alta do petróleo
Nessa toada, os contratos para novembro do barril do tipo Brent, a referência global da commodity, subiram 2,90%, a US$ 108,75. O barril para outubro do tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos EUA, avançou 4,38%, a US$ 105,83.
Juros nos EUA
No caso dos juros, a tendência é de alta de 0,25 ponto percentual nos Estados Unidos. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, as chances desse aumento são de 94,5%, o que elevaria a taxa básica do país para o intervalo entre 3,75% e 4,00%.
Treasuries
Com a estimativa de alta dos juros, associada à elevação do petróleo, o rendimento dos títulos da dívida do Tesouro americano (os “Treasuries”) de 10 anos disparou. Eles superaram 5%, atingindo o maior nível desde julho de 2007, período que antecedeu a crise financeira global de 2008. O retorno do título de 30 anos também foi além do maior nível desde 2007, ou seja, em quase duas décadas, ultrapassando 5,4%.
O maior rendimento dos Treasuries, considerados os investimentos entre os mais seguros do mundo, tem forte impacto no mercado internacional. Eles tornam, por exemplo, menos atrativos os investimentos em ativos de risco, como as ações negociadas em bolsas. Além disso, aumentam a tendência de valorização do dólar.
Juros no Brasil
No Brasil, a expectativa sobre os juros é oposta. Os agentes econômicos acreditam numa nova queda de 0,25 ponto percentual da taxa básica. Confirmado, tal corte reduzirá a Selic dos atuais 14,00% para 13,75% ao ano.
Vendas
Nesta terça-feira, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que as vendas no comércio caíram 0,8% em julho ante junho. O desempenho do setor foi pior do que o esperado pelo mercado, acentuando a percepção de baixa do consumo das famílias no segundo semestre. Isso como resultado do crédito caro e do alto endividamento, entre outros fatores.
Câmbio alinhado
Na sessão, o câmbio no Brasil acompanhou o movimento. Às 16h30, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), registrava avanço de 0,16%, aos 99,64 pontos — nível de alta próximo ao registrado sobre o real.
Bolsas globais
Já as bolsas globais caíram diante da perspectiva de elevação dos juros americanos e da cotação do petróleo. O índice Stoxx 600, que engloba empresas de 17 países europeus, baixou 0,3%, o menor nível de fechamento desde 12 de junho.
Em Nova York, o quadro também era de baixas. Às 16h30, os recuos eram de 0,51%, no S&P 500; de 0,67%, no Dow Jones; e de 0,86%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Análise
João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, afirma que a alta do Ibovespa foi sustentada pela valorização das ações da Petrobras, que se valeu do aumento do petróleo.
Marcos Bassani, da Boa Brasil Capital, observa que, entre as maiores baixas, ficou a Gafisa, “que não apresenta resultados interessantes há um bom tempo nos balanços e provoca desconforto nos investidores”. A Vale também caiu como resultado da desvalorização do minério de ferro no mundo.