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Crime Organizado e Saúde
PCC na saúde: foragido recebeu R$ 123 mi de Sorocaba e é suspeito de infiltração no transporte paulistano
Um empresário procurado pela polícia por suspeita de ligação com o PCC também recebeu recursos públicos da área da saúde em Sorocaba. Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Paulinho Camarão,…
Foto: Reprodução/portalporque.com.br
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Jornalista
Um empresário procurado pela polícia por suspeita de ligação com o PCC também recebeu recursos públicos da área da saúde em Sorocaba. Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Paulinho Camarão, está foragido e é investigado em ao menos duas operações do Ministério Público.
Na área do transporte, ele é alvo da operação Vectura Corrupta, conduzida pelo MP/Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que investiga a infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo de São Paulo. As investigações do MP-SP apontam Farias como "testa de ferro" da facção por meio de duas empresas de sua titularidade: a Translíder e a A2 Transportes.
Na saúde, ele é apontado pela operação Copia e Cola como dono da Aceni/Iase, organização social suspeita de fraudes em contratos com o município de Sorocaba. Apurações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal indicam que o PCC também teria envolvimento nessa área.
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Segundo as investigações, a ideia de criar uma OS (Organização Social) para captar dinheiro público teria surgido de conversas entre integrantes da facção, e o nome de Camarão como operador da entidade apareceu já nas primeiras tratativas.
As apurações sobre Sorocaba apontam ainda que a Aceni teria ajudado a financiar a primeira campanha de Rodrigo Manga (sem partido) à prefeitura em troca de contratos futuros. Eleito, Manga contratou a Aceni, sem licitação, para gerir a UPA do Éden.
Suspeitas sobre esse contrato, incluindo lavagem de dinheiro, levaram ao afastamento judicial de Manga do cargo, de novembro de 2025 a 31 de março de 2026.
Após as acusações, a Aceni deixou a UPA do Éden, mas passou a administrar outra unidade de saúde do município, a UPH da Zona Oeste, sob o nome de Iase (Instituto de Atenção à Saúde e Educação). Esse segundo contrato durou até maio do ano passado.
No total, as gestões da Aceni/Iase custaram R$ 123 milhões aos cofres de Sorocaba.
Em nota, a prefeitura de Sorocaba afirmou que "não tem contrato vigente com a Aceni" e que "todos os fornecedores e contratos passam por fiscalização, conforme critérios legais e de transparência".
A A2 Transportes, em nota ao Portal G1, negou qualquer envolvimento com o PCC e declarou que "nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos". A empresa acrescentou que "não temos outras fontes de entrada de recursos" e que sua "história é construída com trabalho, seriedade e ética", afirmando confiar "na apuração dos fatos e na Justiça".
Além das investigações, Paulo Korek Farias também é presidente do Esporte Clube Água Santa, de Diadema.