Agência com apuração local · publicado originalmente por CNN Brasil
Comércio Internacional
Ministro critica EUA por barreiras tarifárias e aponta dilema entre China e América
Márcio Elias Rosa afirma que EUA não agem como aliados do Brasil, enquanto China ameaça mercado interno; superávit comercial pode superar US$ 90 bi em 2024.
Foto: Reprodução/CNN Brasil
CNN Brasil
Jornalista
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou nesta quarta-feira (16) que os Estados Unidos não têm se comportado como um aliado do Brasil, apesar de o país não poder prescindir dessa parceria comercial.
A declaração foi feita durante a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre o MDIC e o Sistema Indústria, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
"Nós não podemos abrir mão dos Estados Unidos, mas vamos lembrar que eles não têm se mostrado grandes aliados. De maio do ano passado para cá está difícil, a relação não está simples", afirmou o ministro.
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Segundo Márcio Elias Rosa, o Brasil se encontra numa posição delicada entre seus dois maiores parceiros comerciais. De um lado, a China é apontada por ele como uma ameaça ao mercado interno brasileiro. Do outro, os EUA são descritos como hostis, impondo barreiras tarifárias aos produtos nacionais.
"De um lado nós temos um parceiro comercial que quer tomar o nosso mercado, e de outro um parceiro comercial que se mostra hostil, com barreira tarifária aos nossos produtos, e nós estamos falando do primeiro e do segundo parceiro comercial", completou o ministro.
Diante desse cenário, ele defendeu a necessidade de uma política industrial robusta, com mecanismos eficazes de defesa comercial. Para o ministro, medidas tradicionais, como as antidumping, já não são suficientes para proteger a indústria nacional num contexto de comércio internacional mais complexo.
O ministro também mencionou avanços nas negociações comerciais do Brasil com outros países. Segundo ele, o governo deve concluir em breve um acordo com o Canadá e o Japão manifestou publicamente interesse em firmar um acordo de livre comércio com o Brasil.
Apesar das dificuldades, Márcio Elias Rosa apontou razões para otimismo na economia. O País registrou cerca de US$ 55 bilhões em saldo comercial até o fim de agosto e, segundo o ministro, deve encerrar o ano com superávit superior a US$ 90 bilhões.
Antes de tratar dos temas econômicos, o ministro abriu seu discurso na CNI manifestando preocupação com o cenário político do dia anterior, sem mencionar diretamente o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de investigação do ministro Alexandre de Moraes.
"Eu estou muito triste, o Brasil hoje não amanheceu melhor do que amanheceu nos outros dias, o que nós assistimos ontem não foi bom, ninguém é ingênuo a ponto de achar que isso não tem nenhuma implicação", disse ele.
Questionado sobre se o pedido de vista do ministro Flávio Dino no julgamento teria caráter protelatório, Márcio Elias Rosa afirmou que não iria se pronunciar sobre o caso em nome do governo, mas classificou a situação como "muito estranha e desconfortável".