Agência com apuração local · publicado originalmente por CNN Brasil
Política Monetária Global
Fed eleva juros nos EUA pela 1ª vez em 3 anos com inflação acima da meta e guerra no Oriente Médio
O Federal Reserve aumentou os juros em 0,25 ponto percentual de forma unânime, com taxa entre 3,75% e 4%, pressionado pela inflação persistente e pelo conflito com o Irã.
Foto: Reprodução/CNN Brasil
CNN Brasil
Jornalista
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), na primeira alta em três anos. Com o ajuste, a banda de referência passou a ficar entre 3,75% e 4%. A decisão foi tomada de forma unânime pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).
O aumento ocorre em um cenário de pressão inflacionária persistente, agravada pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços globais, especialmente os de energia. A inflação americana já supera a meta de 2% do Fed há quase cinco anos e se intensificou desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro.
Entre os indicadores que embasaram a decisão, o PCE — índice de gastos dos consumidores e principal referência de inflação do Fed — acumulou alta de 3,7% nos 12 meses encerrados em julho. Já o CPI, equivalente ao índice de preços ao consumidor, avançou 0,4% em agosto, com o núcleo do indicador subindo 0,3% no mesmo período. O índice de preços ao produtor acumulou alta de 5,4% em 12 meses até agosto.
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Em comunicado, a autoridade monetária avaliou que os gastos domésticos seguem resilientes, mesmo diante do elevado nível de incerteza, e que a economia americana avança em ritmo sólido. O colegiado também destacou o forte crescimento da produtividade e a robustez dos investimentos de capital.
Sobre o mercado de trabalho, o Fed apontou que os ganhos de emprego têm acompanhado o crescimento da força de trabalho, com pouca variação na taxa de desemprego.
A alta dos juros também se dá em meio à pressão nos títulos do Tesouro americano (Treasury), que se mantêm próximos de 5%. Ao longo deste ano, os rendimentos desses papéis avançaram em meio a uma venda generalizada no mercado global de renda fixa, encarecendo o crédito para consumidores, empresas e o próprio governo dos EUA.
De acordo com o Sumário de Projeções Econômicas trimestrais divulgado pelo Fed, a previsão mediana dos dirigentes aponta para pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual ainda em 2025. Entre os 18 analistas que apresentaram projeções:
Quatro acreditam que será necessário elevar os juros em 0,5 ponto até o fim do ano;
Dois entendem que não haverá necessidade de novos aumentos.
A ausência de dissidências chamou atenção. Em momentos anteriores de mudança de rumo na política monetária, o Fed registrou votos contrários. Desta vez, todos os 12 membros votantes do Fomc concordaram com o aumento.
Entre eles estava Kevin Warsh, atual presidente do Fed, indicado pelo presidente Donald Trump com a expectativa de redução das taxas de juros. Warsh votou a favor da alta poucos meses após assumir o cargo. Em coletiva de imprensa, ele confirmou ser o único dirigente que não apresentou projeção no Sumário de junho e setembro, afirmando não querer ficar vinculado ao que considera essencialmente uma estimativa.