Pular para o conteúdo
Revista São Roque
PublicidadeKZ3 Soluções — Notícia topo (leaderboard)

Agência com apuração local · publicado originalmente por O POVO

Alerta de Zoonose

Fortaleza registra 25 casos de raiva em morcegos em 2026 e antecipa vacinação de pets

Capital cearense detectou 25 casos de raiva em morcegos até agosto de 2026, número acima dos anos anteriores. Campanha já imunizou mais de 215 mil animais domésticos.

Fortaleza registra 25 casos de raiva em morcegos em 2026 e antecipa vacinação de pets
Foto: Reprodução/O POVO

O POVO

Jornalista

Fortaleza registrou 25 casos de raiva em morcegos até agosto de 2026, segundo dados divulgados pela Prefeitura. Apesar da circulação do vírus entre animais silvestres, a capital cearense não confirma nenhum caso de raiva humana há 23 anos.

O número de ocorrências em 2026 é superior ao observado nos cinco anos anteriores, de acordo com o infectologista Roberto da Justa, professor de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador da Liga de Estudos em Doenças Infecciosas (LEDI). O especialista, porém, pondera que a série histórica disponível não é suficiente para concluir que houve intensificação da circulação do vírus entre os morcegos da cidade.

A vigilância de morcegos não hematófagos em áreas urbanas do Ceará teve início apenas em 2010, o que limita a análise de tendências ao longo do tempo.

PublicidadeKZ3 Soluções — Notícia no texto (336×280)

Risco maior para cães e gatos

Segundo Roberto da Justa, a presença de morcegos infectados representa um sinal de atenção especialmente para animais domésticos. Cães e gatos podem entrar em contato com morcegos contaminados, contrair o vírus e, em seguida, transmiti-lo a pessoas.

O Ministério da Saúde aponta os morcegos como uma das principais fontes de infecção por raiva no país. Entre 2010 e 2026, foram registrados 54 casos de raiva humana no Brasil, dos quais 23 foram associados a morcegos, conforme dados atualizados em junho deste ano.

Urbanização aproxima animais silvestres das cidades

Para o infectologista, a presença de morcegos infectados em áreas urbanas não é um fenômeno inesperado. O desmatamento, a ocupação de áreas antes preservadas e as alterações nos habitats naturais aproximaram animais silvestres de seres humanos e de animais domésticos.

Espécies não hematófagas também podem passar a ocupar espaços urbanos em busca de alimento, atraídas, por exemplo, por insetos que se concentram perto da iluminação artificial.

Como ocorre a transmissão

A principal via de transmissão da raiva é a saliva de animais infectados, geralmente por mordida. No entanto, arranhões e o contato da saliva com pele lesionada ou mucosas também podem permitir a entrada do vírus no organismo, conforme alerta Roberto da Justa.

O especialista chama atenção para situações em que o contato com morcegos pode ter ocorrido sem que a pessoa perceba, como acordar e encontrar o animal dentro do quarto. Nesses casos, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação e verificar a necessidade de profilaxia pós-exposição, já que a mordida de um morcego pode ser pequena e passar despercebida.

Em caso de mordida, arranhadura ou contato da saliva do animal com ferimentos ou mucosas, as recomendações são:

  • Lavar o local imediatamente com água e sabão;
  • Procurar atendimento médico o quanto antes;
  • Não tocar no animal com as mãos desprotegidas.

O Ministério da Saúde orienta que a população evite tocar em morcegos ou outros animais silvestres, sobretudo quando estiverem caídos, com comportamento incomum ou fora do ambiente esperado. Ao encontrar um morcego, a recomendação é manter distância, afastar crianças e animais domésticos e acionar os serviços de vigilância de zoonoses.

Vacinação antecipada em Fortaleza

A campanha de vacinação antirrábica de 2026 em Fortaleza foi antecipada. Até o dia 22 de agosto, 215.723 animais haviam sido imunizados — 135.785 cães e 79.938 gatos —, segundo balanço divulgado pelo Município. A meta é vacinar cerca de 500 mil animais até 30 de novembro. A campanha contempla cães e gatos a partir de três meses de idade.

O Ministério da Saúde indica a vacinação anual como uma das principais estratégias para evitar a reintrodução da raiva no ciclo urbano, protegendo os animais domésticos e reduzindo o risco de transmissão para pessoas.

Situação no estado

O cenário de Fortaleza deve ser observado em conjunto com o restante do Ceará. Em agosto, foram confirmados casos de raiva bovina em uma propriedade rural de Jaguaribe. Equipes de saúde vacinaram moradores que tiveram exposição ao vírus e realizaram a captura de morcegos para investigação.

Para Roberto da Justa, o histórico de 23 anos sem raiva humana em Fortaleza demonstra a eficácia das medidas de prevenção adotadas, mas não elimina a necessidade de vigilância contínua.

Com informações de O POVO.

PublicidadeKZ3 Soluções — Notícia rodapé (billboard)

Compartilhar

Comentários (0)

Seu comentário será moderado antes de aparecer publicamente. Já tem conta? Entrar

Seja o primeiro a comentar!

KZ3 Soluções — Rodapé flutuante (320×50)