Agência com apuração local · publicado originalmente por UOL
IA e Desigualdade
Fórum Econômico Mundial alerta: IA pode aumentar desigualdade de gênero no trabalho
WEF e LinkedIn apontam que cargos ocupados majoritariamente por mulheres são os mais ameaçados pela inteligência artificial, ampliando disparidades no mercado.
Foto: Reprodução/UOL
UOL
Jornalista
A expansão da inteligência artificial pode aprofundar as desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho. O alerta foi feito por representantes do Fórum Econômico Mundial (WEF) e do LinkedIn nesta quarta-feira (16), em Londres, durante a apresentação do relatório anual sobre desigualdade de gênero.
Segundo Saadia Zahidi, membro do comitê executivo do WEF, os cargos mais afetados pela IA são justamente aqueles em que há maior concentração de mulheres.
"O que constatamos é que os tipos de cargos que estão sendo afetados pela IA tendem a ser aqueles em que há uma concentração especial de mulheres", afirmou Zahidi.
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A dirigente detalhou que se trata, sobretudo, de postos qualificados em escritório — funções que, nas últimas décadas, garantiram boas condições de vida para muitas trabalhadoras e que agora estão sendo transformadas pela tecnologia.
Dentro das próprias empresas de IA, a sub-representação feminina é ainda mais acentuada. De acordo com o relatório, as mulheres estão menos presentes do que em companhias de outros setores, e essa disparidade se repete em todos os níveis hierárquicos.
"As mulheres ocupam apenas um em cada cinco cargos em engenharia de IA", destacou Sue Duke, executiva do LinkedIn.
Para Duke, sem uma participação maior de mulheres nas áreas científicas e nas funções ligadas à IA, os benefícios econômicos gerados pela tecnologia tendem a favorecer principalmente os homens. A executiva defendeu que governos e empresas precisam agir desde já.
"É fundamental investir desde o início para incorporar as mulheres a estas áreas de formação, a essas funções, e depois investir em cada etapa de suas carreiras", avaliou Duke.
O relatório do WEF é publicado anualmente e acompanha a evolução das desigualdades de gênero ao redor do mundo. O documento aponta que, embora essas disparidades tenham diminuído ao longo dos últimos 20 anos, o ritmo de redução desacelerou a partir de 2016, em comparação com o período entre 2006 e 2016.