Agência com apuração local · publicado originalmente por dol.com.br
Alerta Cardíaco
Infarto sem dor no peito: os 5 sinais silenciosos que você não pode ignorar
Cerca de 45% dos infartos ocorrem sem sintomas clássicos. Conheça os sinais atípicos que podem indicar um infarto silencioso e como agir rapidamente.
Foto: Reprodução/dol.com.br
dol.com.br
Jornalista
Um infarto pode acontecer sem a dor intensa no peito que a maioria das pessoas associa ao problema. Chamado de infarto silencioso, esse quadro se manifesta com sintomas atípicos que frequentemente são confundidos com outras condições, atrasando o atendimento médico e aumentando o risco de danos permanentes ao coração.
De acordo com dados do Ministério da Saúde mencionados pela cardiologista Lucianna Serfaty de Holanda, médica e professora de cardiologia da Afya Educação Médica Belém, entre 300 mil e 400 mil casos de infarto agudo do miocárdio ocorrem por ano no Brasil.
"É um infarto que ocorre com sintomas atípicos, diferente do quadro clássico que as pessoas costumam associar à dor em aperto no peito, irradiando para o braço esquerdo", afirmou a especialista.
Publicidade
Entre os sinais que podem indicar o problema, mas passam despercebidos por se assemelharem a questões digestivas, musculares ou odontológicas, estão:
Falta de ar súbita
Dor ou desconforto persistente no estômago, mandíbula, braços ou costas
Suor frio
Náusea
Mal-estar intenso
"Como podem parecer leves ou remeter a problemas digestivos, musculares ou odontológicos, muitas pessoas adiam a procura por ajuda médica; a demora, porém, aumenta o risco de danos irreversíveis ao músculo cardíaco", alertou Lucianna Serfaty de Holanda.
Alguns grupos apresentam manifestações atípicas com maior frequência: idosos, pessoas com diabetes, pacientes com doença renal crônica e mulheres. A cardiologista recomenda que mudanças repentinas na disposição, na respiração ou o surgimento de dores persistentes sejam investigados, especialmente em quem já tem fatores de risco cardiovascular.
Mesmo quando o episódio não é identificado no momento em que ocorre, exames podem detectar lesões no coração. O eletrocardiograma é um dos recursos utilizados nessa investigação e pode revelar alterações compatíveis com cicatrizes ou áreas eletricamente inativas. O ecocardiograma também pode ser utilizado na avaliação.
Um estudo do Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC), publicado em 2016 no Journal of the American College of Cardiology, acompanhou mais de 9 mil pessoas e constatou que cerca de 45% dos infartos identificados ocorreram de forma silenciosa, sem os sintomas clássicos.
Prevenção
Controlar os fatores de risco cardiovasculares é uma das principais formas de reduzir as chances de problemas cardíacos. As recomendações incluem a prática regular de atividade física, a redução do consumo de alimentos gordurosos e fritos, além do controle de hipertensão, diabetes e dislipidemia.
A especialista também chama atenção para o uso de esteroides anabolizantes sem indicação médica, prática adotada por algumas pessoas com objetivos estéticos ou de desempenho físico.
Diante de sintomas como falta de ar súbita, dores persistentes no peito, estômago, mandíbula, braços ou costas, suor frio, náusea ou mal-estar intenso, a orientação é buscar atendimento de emergência imediatamente. Reconhecer manifestações que fogem do padrão clássico pode ser determinante para o início rápido do tratamento.