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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por InvestNews

Saúde e História no Egito

Luxor une história e medicina para se tornar polo global de turismo de saúde

O Egito aposta em Luxor como destino de luxo para turismo médico, unindo tratamentos de ponta a roteiros históricos, visando competir com grandes mercados como Turquia e Emirados Árabes.

Luxor une história e medicina para se tornar polo global de turismo de saúde
Foto: Reprodução/InvestNews

InvestNews

Jornalista

O Egito está intensificando esforços para transformar a cidade de Luxor em um polo global de turismo médico, buscando atrair pacientes internacionais com uma combinação de tratamentos especializados e atrações históricas. A iniciativa, liderada pela Autoridade de Saúde do Egito (EHA), faz parte de uma estratégia para competir com destinos consolidados, como Turquia e Emirados Árabes Unidos, em um mercado global avaliado em cerca de US$ 34 bilhões no ano passado.

Por meio do programa “In Egypt We Care” (“No Egito, Nós Cuidamos”), o governo egípcio disponibiliza cerca de 400 instalações médicas, incluindo hospitais, laboratórios e clínicas. Em Luxor, conhecida por abrigar o Vale dos Reis e o Templo de Karnak, seis unidades hospitalares foram equipadas com suítes de padrão hoteleiro e especialidades em áreas como obstetrícia, pediatria e radiologia.

Dados da EHA indicam um crescimento expressivo no setor. No ano passado, as unidades atenderam 13.370 pacientes estrangeiros de 124 nacionalidades, um salto em relação aos 2.075 registrados em 2022. Para 2026, a previsão é que a receita do setor chegue a US$ 6 milhões, superando os US$ 3,8 milhões obtidos em 2025. Até julho deste ano, quase 8 mil pacientes internacionais já haviam sido registrados.

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A expansão prevista para os próximos seis anos inclui a criação de mais 5 mil unidades médicas por meio de parcerias público-privadas. O foco será em procedimentos de alta demanda, como:

  • Cirurgias cardiovasculares;
  • Cirurgias bariátricas e estéticas;
  • Fertilização in vitro;
  • Atendimento odontológico avançado.

Segundo Ahmed El-Sobky, presidente da EHA, o diferencial do país é a integração de serviços. “Um paciente internacional pode receber atendimento de saúde avançado enquanto aproveita atrações turísticas, culturais e de entretenimento”, afirmou em entrevista.

O projeto resgata uma tradição do século 19, quando europeus e americanos viajavam para Luxor em busca de alívio para doenças pulmonares devido ao clima seco e quente. Naquela época, a agência Thomas Cook chegou a abrir um hospital na região para atender estrangeiros. Visitantes ilustres, como a escritora Lucie Duff Gordon e o autor Arthur Conan Doyle, estiveram entre os que buscaram refúgio na cidade.

Apesar do otimismo governamental, especialistas apontam desafios. Emre Atceken, cofundador da empresa WeCure, destaca que o Egito precisa criar um nicho específico para atrair pacientes já habituados a outros destinos. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Associação Médica Mundial alertam para riscos de segurança e questões de responsabilidade legal em caso de complicações nos procedimentos realizados no exterior.

Internamente, há também preocupação com o impacto no sistema de saúde para a população local de 108 milhões de habitantes. O receio é que a migração de profissionais qualificados para o atendimento de estrangeiros possa agravar o acesso desigual à saúde, caso não haja uma supervisão governamental rigorosa e o reinvestimento da receita internacional na modernização do padrão nacional de atendimento.

Com informações de InvestNews.

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