Agência com apuração local · publicado originalmente por Bloomberg Línea Brasil
Crise no Turismo
Turismo no México em crise: Cancún e Los Cabos perdem até 26% dos visitantes
Chegadas internacionais despencam em praias mexicanas e ameaçam setor de US$ 150 bi; governo aposta no turista chinês para reverter queda.
Foto: Reprodução/Bloomberg Línea Brasil
Bloomberg Línea Brasil
Jornalista
O México enfrenta uma desaceleração no setor de turismo em seus principais destinos de praia, como Cancún, Los Cabos e Puerto Vallarta, onde o tráfego de passageiros internacionais registra queda pelo segundo ano consecutivo. A retração ameaça uma indústria avaliada em US$ 150 bilhões, que representa cerca de 9% da atividade econômica do país e é fundamental para a entrada de divisas estrangeiras.
Até o momento, em 2026, as chegadas de passageiros internacionais caíram 6% em Cancún, 8% em Los Cabos e 20% em Puerto Vallarta. Em agosto, os números foram ainda mais baixos, com quedas de 15% em Cancún, 17% em Los Cabos e 26% em Puerto Vallarta, deixando hotéis e praias com movimentação reduzida.
A ministra do Turismo, Josefina Rodríguez, atribui a queda a uma combinação de fatores, incluindo tarifas aéreas mais altas, menor demanda dos Estados Unidos e a valorização da moeda mexicana, que encareceu o destino. "O combustível de aviação é o primeiro fator a afetar os voos e as frequências entre os EUA e o México", afirmou a ministra. Ela também citou a inflação nos EUA como motivo para a redução nas viagens.
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Outros problemas apontados para a diminuição de visitantes são os surtos de violência entre gangues e a proliferação de algas sargaço no litoral caribenho. Embora a presidente Claudia Sheinbaum destaque um aumento de 14% no número total de visitantes internacionais no ano passado, os dados mostram que esse crescimento é impulsionado por turistas que não pernoitam no país e gastam significativamente menos.
De acordo com dados oficiais, turistas que chegam por navios de cruzeiro gastam, em média, US$ 84 por escala, enquanto os que cruzam a fronteira terrestre gastam US$ 59. Em contrapartida, os turistas que chegam de avião são responsáveis por quatro quintos dos gastos totais, desembolsando mais de US$ 1.200 por viagem. No entanto, o número desses viajantes de alto poder aquisitivo caiu mais de 4% no primeiro semestre deste ano.
Para reverter a tendência, o governo mexicano planeja focar no mercado chinês. A estratégia visa atrair viajantes interessados em gastronomia, festivais e locais históricos, em vez de resorts de praia. O ministério estima que um turista chinês gaste cerca de US$ 3.000 por viagem, mais que o dobro da média internacional.
Estratégias para atrair novos mercados
Capacitação de guias turísticos para falar mandarim.
Tradução de placas em hotéis e atrações turísticas.
Adaptação de sistemas de pagamento para o público chinês.
Promoção em redes sociais como WeChat e Weibo.
Foco em destinos culturais como Cidade do México, Michoacán e Guanajuato.
Apesar dos planos, o setor enfrenta limitações orçamentárias. O órgão de promoção turística contou com 43 milhões de pesos este ano. Josefina Rodríguez informou que o ministério obteve mais 100 milhões de pesos para uma campanha no segundo semestre de 2026 e aguarda a aprovação de recursos semelhantes para o próximo orçamento.
O México compete diretamente com destinos como a República Dominicana e a Turquia. Segundo a ministra, embora esses concorrentes invistam mais em publicidade, o México possui uma diversidade de opções culturais e gastronômicas que devem ser melhor aproveitadas para atrair visitantes.