Agência com apuração local · publicado originalmente por Sim Notícias
Empreendedorismo Feminino Rural
De frutas a renda: como 12 mulheres do ES criaram um negócio artesanal de sucesso
Associação Mulheres do Canaã, em São Roque do Canaã (ES), produz goiabadas e biscoitos artesanais que abastecem feiras, padarias e a Ceasa de Vitória, gerando renda e autonomia feminina.
Foto: Reprodução/Sim Notícias
Sim Notícias
Jornalista
A Associação Mulheres do Canaã, em São Roque do Canaã (ES), transformou frutas da agricultura local em uma linha de produtos artesanais que hoje abastece mercearias, padarias, feiras e até a Ceasa de Vitória, gerando renda para cerca de 12 mulheres da região.
A história do grupo começou em 2014, quando a falta de água prejudicou o trabalho das agricultoras. Diante da dificuldade, elas buscaram uma alternativa: aproveitar as frutas das próprias propriedades e transformá-las em alimentos para venda.
A associação foi fundada oficialmente em 2016, com 17 integrantes. No início, cada mulher produzia em casa. Com o tempo, a família de uma das associadas cedeu um cômodo para abrigar os primeiros equipamentos. Há cerca de três anos, o grupo passou a ocupar um espaço cedido pela COOAPE, a Cooperativa Agropecuária de São Roque do Canaã, o que permitiu ampliar a produção.
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Ao longo dos anos, mais de 30 produtos foram testados, com frutas como mamão, banana, carambola e cacau. Com a experiência, o catálogo foi sendo ajustado conforme a demanda dos consumidores. Hoje, são cerca de 12 itens, com destaque para os derivados de goiaba: goiabada cascão, goiabada cremosa e biscoitos recheados.
O biscoito casadinho, recheado com goiabada cremosa produzida pelas próprias associadas, é um dos mais procurados. A média de vendas é de cerca de 450 pacotes de 250 gramas por mês. Já a goiabada ultrapassa mil unidades de 500 gramas mensais, considerando as variações de procura.
Parte das receitas produzidas na associação tem origem nas famílias das integrantes. Maria Aparecida Mônico Esperandio, uma das sócias fundadoras, levou para o grupo o que aprendeu com a mãe e as avós.
"Eu vim pra cá com as receitas, tipo da minha mãe, das avós. Aí a gente começou fazendo e aí sempre vai chegando as meninas mais novas, a gente vai ensinando", contou Maria Aparecida.
Esse repasse de conhecimento também moldou trajetórias individuais. Mirela Croce de Souza tinha 21 anos e acabara de sair da escola quando começou a trabalhar na associação, sem experiência com massas, doces ou biscoitos. Quase quatro anos depois, ela domina as etapas de produção e atua também na área administrativa.
"Sair de uma escola sem saber fazer nenhum tipo de massa, nenhum tipo de doce, é muito desafiador. E hoje, saber que eu consigo comandar tudo, fazer de tudo, é muito gratificante", relatou Mirela.
O grupo enfrentou momentos difíceis. Durante a pandemia, o número de integrantes caiu de 17 para apenas cinco. Aos poucos, outras mulheres voltaram, e o grupo chegou ao atual contingente de cerca de 12 associadas.
Os produtos são comercializados em mercearias, padarias, lojas ligadas ao turismo, feiras e eventos. Parte das encomendas é destinada a clientes em Vitória, com retirada na Ceasa. O grupo também participa de programas de compra de alimentos dos governos estadual e federal.
O próximo passo da associação é o turismo de experiência. O grupo integra a Rota dos Imigrantes e planeja receber visitantes no espaço de produção, onde poderão acompanhar o preparo da goiabada e a fabricação dos biscoitos, além de experimentar os produtos. O projeto ainda está em fase de preparação e inclui capacitação das integrantes.