Agência com apuração local · publicado originalmente por Jornal de Barueri
Esporte e Inclusão Social
Instituto mineiro usa esporte para transformar 10 mil jovens em 16 estados
O Instituto Mais Ação dobrou em dois anos o número de crianças atendidas, chegando a 10 mil beneficiários em 70 municípios com projetos gratuitos de esporte e cidadania.
Jornal de Barueri
Redação Jornal de Barueri
Jornalista
Uma organização não governamental mineira dobrou o número de crianças e adolescentes atendidos em dois anos, passando de 5 mil para mais de 10 mil beneficiários distribuídos em mais de 70 municípios e 16 estados brasileiros. O Instituto Mais Ação, fundado em 2018 no bairro Barreiro, na região oeste de Belo Horizonte, utiliza o esporte como ferramenta de inclusão social e formação cidadã.
A instituição foi criada pelo técnico de voleibol e educador físico Alexandre Seixas, que conheceu o esporte nas quadras da escola pública e montou sua primeira escolinha aos 20 anos. Mais tarde, especializou-se em gestão de projetos sociais e fundou o instituto com o objetivo de oferecer oportunidades de desenvolvimento a jovens em situação de vulnerabilidade.
"Ver o trabalho crescer em 16 estados e ultrapassar 10 mil crianças mostra que o esporte possui um poder enorme de transformação quando recebe planejamento adequado. Nós entregamos disciplina, futuro e cidadania", afirmou Alexandre Seixas, diretor do Instituto Mais Ação.
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Projetos gratuitos em diferentes modalidades
A ONG desenvolve seis projetos esportivos gratuitos voltados a crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos. Cinco deles têm caráter educacional e oferecem atividades nas modalidades de futebol, futsal, judô e voleibol para meninos e meninas em diferentes territórios. São eles:
Semear Esportes
Sementinhas do Esporte
Mais Ação Olímpico
Mais Ação Cidadão
Cultivar Esportes
O sexto projeto, o Mais Ação Voleibol, é voltado ao esporte de rendimento feminino e oferece treinamento especializado para meninas em diferentes categorias, desde a iniciação até a participação em competições.
Além das aulas regulares, os participantes recebem uniformes — como camisa, bermuda, kimono e meião —, materiais esportivos e têm acesso a atividades complementares, como passeios culturais, palestras sobre saúde e ações de conscientização ambiental.
"Nossos projetos foram desenvolvidos com o objetivo de contribuir na formação de crianças e adolescentes. Nesse sentido, além da prática esportiva, também oferecemos atividades educativas que buscam enriquecer o aprendizado e o desenvolvimento integral", destacou Seixas.
Estrutura e funcionamento
As atividades acontecem majoritariamente em escolas públicas ou em complexos esportivos cedidos pelas prefeituras locais. O instituto é responsável pela contratação de professores da própria região, pela implantação do método pedagógico e pelo fornecimento de toda a estrutura necessária para a realização das aulas.
Os beneficiários também participam de festivais esportivos, amistosos e outras experiências que ampliam a vivência no esporte e fortalecem os laços entre os participantes.
Talentos revelados e reconhecimentos
Entre os resultados do projeto de voleibol estão a participação na Superliga C em 2020, com quarto lugar, além de presença na Taça Paraná (2022 e 2023), no Campeonato Brasileiro Interclubes (2021 e 2022) e no Campeonato Mineiro (2019, 2022 e 2023). Em 2019, a equipe terminou em terceiro lugar no Sub-17 do Estadual.
Atletas profissionais como Glayce Kelly, Letícia Gabriele, Mariana Freitas e Maria Clara foram reveladas pelos projetos do instituto e hoje atuam em clubes no Brasil e no exterior.
A organização também acumula reconhecimentos institucionais, entre eles o Selo Doar, conquistado pelo quarto ano consecutivo por boas práticas de gestão e governança, e a inclusão entre as melhores ONGs do Brasil no prêmio Melhores ONGs de 2025.
Esporte como setor econômico
O crescimento do instituto ocorre em um contexto favorável ao setor. Segundo o estudo "PIB do Esporte", divulgado pelo Instituto Sou do Esporte em 2025, a cadeia produtiva do esporte nacional movimenta cerca de R$ 183,4 bilhões por ano, o equivalente a 1,69% do PIB brasileiro, e responde por mais de 3,3 milhões de empregos diretos e indiretos. O levantamento aponta ainda que cada R$ 1 investido pela iniciativa privada no esporte gera retorno de R$ 23, enquanto investimentos governamentais rendem R$ 12.
"Graças ao apoio de grandes empresas parceiras que investem por meio de mecanismos de incentivo ao esporte, conseguimos aumentar nossas frentes e transformar a realidade de milhares de famílias", disse Seixas.