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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por Jornal de Barueri

Energia e Sustentabilidade

Brasil desperdiça 98% do biogás do setor sucroenergético que poderia virar combustível

Estudo revela que o Brasil aproveita menos de 2% do potencial de biogás gerado pelo setor sucroenergético, equivalente a 41,4 bilhões de m³ por ano.

Brasil desperdiça 98% do biogás do setor sucroenergético que poderia virar combustível
Jornal de Barueri

Redação Jornal de Barueri

Jornalista

O Brasil desperdiça um potencial estimado em 41,4 bilhões de metros cúbicos de biogás por ano provenientes apenas do setor sucroenergético, mas menos de 2% desse volume é efetivamente aproveitado. Os dados constam do estudo internacional From Waste to Wheels: Turning Organic Waste into Renewable Fuel for Transport, encomendado pelo Instituto MBCBrasil.

O levantamento aponta que o país gera diariamente grandes volumes de matéria orgânica — entre resíduos urbanos, dejetos animais e subprodutos da agroindústria — que, em vez de retornar à economia como energia, acabam descartados de forma inadequada e contribuem para emissões de metano, gás com potencial de aquecimento muito superior ao do dióxido de carbono.

Segundo dados históricos do Banco Mundial citados no estudo, cada brasileiro produz entre 0,7 kg e 1,2 kg de resíduos sólidos por dia, volume que tende a crescer com a renda e a urbanização.

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Do resíduo ao combustível

O biogás é obtido pela digestão anaeróbica de materiais orgânicos, como vinhaça e torta de filtro da cana-de-açúcar, dejetos de animais e resíduos urbanos. Após um processo de purificação chamado upgrading, o produto resultante é o biometano, que pode substituir combustíveis fósseis em frotas pesadas ou ser injetado na malha de gás natural.

O setor sucroenergético concentra grande parte desse potencial. O Brasil conta com 345 usinas em operação, sendo quase 92% delas na região Centro-Sul. Só o estado de São Paulo teria capacidade de produzir entre 8,5 e 15,5 bilhões de Nm³ de biometano por ano, de acordo com o mesmo estudo.

Para José Eduardo Luzzi, presidente do conselho do Instituto MBCBrasil, o argumento central desse mercado vai além do combustível. "As histórias mais fortes não são sobre combustível, são sobre transformar passivos ambientais em ativos econômicos", afirma. Segundo ele, o biometano atua em três frentes ao mesmo tempo: "O combustível enfrenta simultaneamente as mudanças climáticas, as emissões de metano e a gestão de resíduos".

Benefícios além do clima

O estudo também destaca ganhos locais para a qualidade do ar. Em comparação ao diesel, o biometano tende a reduzir emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) e de material particulado, poluentes ligados a doenças respiratórias — impacto direto para populações que vivem próximas a rodovias e polos industriais.

Obstáculos à escala comercial

A ampla disponibilidade de matéria-prima, por si só, não é suficiente para transformar o potencial em produção efetiva. O levantamento aponta que avançar no setor depende de um conjunto de condições, entre elas:

  • Políticas públicas adequadas ao setor;
  • Acesso a financiamento;
  • Infraestrutura para produção, distribuição e uso do biometano.

Para o estudo, superar esses entraves é fundamental para que o Brasil consolide o biometano como alternativa concreta na descarbonização do transporte e no desenvolvimento de novas cadeias de valor na economia.

Com informações de Jornal de Barueri.

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