Pular para o conteúdo
Revista São Roque
PublicidadeKZ3 Soluções — Notícia topo (leaderboard)

Agência com apuração local · publicado originalmente por Times Brasil

Energia e Infraestrutura

Setor elétrico brasileiro: gargalos em transmissão e segurança jurídica travam investimentos

LAWINFRA SUMMIT 2026 reuniu juízes, reguladores e investidores para debater entraves em transmissão, regulação e segurança jurídica no setor elétrico brasileiro.

Setor elétrico brasileiro: gargalos em transmissão e segurança jurídica travam investimentos
Foto: Reprodução/Times Brasil

Amanda Souza

Jornalista

O setor elétrico brasileiro tem energia disponível, atrai investidores e enfrenta uma demanda crescente, mas ainda precisa avançar em transmissão, regulação e segurança jurídica para viabilizar novos projetos. Esse foi o diagnóstico central do LAWINFRA SUMMIT Brasília 2026, realizado na última sexta-feira (18) em parceria com o Times Brasil.

O encontro reuniu representantes do Judiciário, órgãos reguladores, operadores do sistema elétrico, investidores e especialistas para debater os entraves aos investimentos em infraestrutura energética no país.

Previsibilidade jurídica como condição para investir

A segurança jurídica foi um dos temas mais recorrentes ao longo do dia. A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), desembargadora Maria do Carmo Cardoso, chamou atenção para os impactos das mudanças de entendimento judicial sobre contratos de grande porte.

PublicidadeKZ3 Soluções — Notícia no texto (336×280)

"Como é que se dá segurança jurídica em contratos milionários de investidores se há uma oscilação jurisprudencial?", questionou a magistrada, que também defendeu maior aproximação entre juízes e especialistas dos setores regulados.

Filipe Sampaio, presidente do Instituto de Regulação, Inovação e Sustentabilidade (Iris), reforçou que decisões sobre concessões e infraestrutura exigem conhecimento técnico especializado e maior diálogo entre o Judiciário e as agências reguladoras.

Do lado dos investidores, Breno Gomes, diretor-geral da Power Light Fund, afirmou que há projetos no Brasil em que não é possível avaliar integralmente o risco jurídico. "Existem investimentos que a gente fez aqui no Brasil, por exemplo, em que a gente não tem uma total segurança jurídica", disse.

Pedro Dante, sócio da área de Energia do Lefosse Advogados, sintetizou a demanda do setor em duas palavras: "Transparência e previsibilidade". Asdrubal Júnior, diretor do Observatório Internacional da Justiça e Arbitragem, acrescentou que o risco empresarial é inerente a qualquer investimento, mas a imprevisibilidade das regras é mais difícil de precificar. "O risco que ele não quer correr é o da imprevisibilidade e da insegurança jurídica", afirmou.

Data centers elevam pressão sobre a rede de transmissão

A expansão dos data centers foi apontada como um dos principais vetores de aumento da demanda por energia elétrica. Marcio Rea, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), apresentou números expressivos: os pedidos relacionados à instalação dessas estruturas recebidos pelo operador entre 2025 e 2026 somam quase 20 GW.

"Isso representa 30% da nossa energia. É muito bom para o Brasil", afirmou Rea. O crescimento da inteligência artificial tende a ampliar ainda mais essa demanda.

No entanto, ter energia gerada não significa que ela chegará automaticamente aos novos empreendimentos. Carlos Mattar, superintendente de Regulamentação dos Serviços de Transmissão e Distribuição da Aneel, alertou para um paradoxo já presente em algumas regiões do país.

"Hoje nós vivemos um quadro em que a gente tem excesso de energia e, em alguns locais, falta a rede de transmissão de energia elétrica", disse Mattar.

Entre as soluções debatidas estão a construção de novas linhas, o uso mais eficiente da infraestrutura existente — com tarifas diferenciadas por horário e maior flexibilidade contratual — e a ampliação do armazenamento por baterias. O juiz federal Antônio Cláudio Macedo da Silva, do TRF1, destacou que essas tecnologias podem reforçar a confiabilidade do sistema nos picos de consumo e reduzir o curtailment, situação em que parte da energia gerada precisa ser descartada por falta de capacidade de absorção ou transmissão.

"Ninguém pode investir sem saber se vai ter energia e vai ter confiabilidade nesse sistema do qual ele vai participar", afirmou o magistrado.

Itaipu e sustentabilidade ganham novos papéis na matriz

A expansão das fontes solar e eólica também está redefinindo a função de usinas já existentes. André Pepitone, diretor financeiro executivo de Itaipu, explicou que a geração intermitente dessas fontes aumentou a importância da hidrelétrica para equilibrar o sistema, especialmente no fim da tarde, quando a produção solar recua e a demanda permanece elevada. Pepitone também destacou o impacto da quitação da dívida da usina sobre o preço da energia gerada. "Itaipu está promovendo modicidade tarifária", afirmou.

Critérios ambientais e climáticos passaram a integrar a própria estrutura dos contratos de concessão. Segundo Filipe Sampaio, do Iris, as exigências de sustentabilidade já são incorporadas desde a elaboração até o acompanhamento desses contratos.

"Hoje, os contratos de concessão de várias agências reguladoras já observam esse quesito na construção desses contratos e, cada vez mais, isso tem sido constante e observado ao longo do cumprimento do contrato", disse Sampaio.

Execução dos projetos como próximo desafio

Wagner Ferreira, advogado do Caputo, Bastos e Serra Advogados, observou que o setor elétrico se tornou mais complexo com a entrada de novos geradores, consumidores e tecnologias no mesmo sistema. "Você tem uma rede de transmissão, que é uma espinha dorsal, que abraça tudo isso e precisa funcionar 24 horas por dia", afirmou.

Para ele, a velocidade das transformações exige respostas mais ágeis de órgãos como Aneel, ONS, Ministério de Minas e Energia e Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A proposta dos organizadores do LAWINFRA SUMMIT é que os debates não fiquem restritos ao evento. A intenção é transformar as discussões em documentos e sugestões a serem encaminhados às autoridades e aos representantes do setor elétrico.

Com informações de Times Brasil.

PublicidadeKZ3 Soluções — Notícia rodapé (billboard)

Compartilhar

Comentários (0)

Seu comentário será moderado antes de aparecer publicamente. Já tem conta? Entrar

Seja o primeiro a comentar!

KZ3 Soluções — Rodapé flutuante (320×50)