Agência com apuração local · publicado originalmente por Panrotas
Mercado de Trabalho 2026
Dança das cadeiras no Turismo 2026: Entenda a intensa movimentação de lideranças e talentos
O setor de turismo no Brasil enfrenta alta rotatividade em 2026. Com a expansão de empresas como Decolar e CVC, a disputa por profissionais qualificados e novas estratégias redesenham o mercado.
Foto: Reprodução/Panrotas
Panrotas
Jornalista
O setor de turismo no Brasil registra, desde janeiro de 2026, uma intensa movimentação de profissionais em diversos níveis hierárquicos. O fenômeno, caracterizado por trocas constantes entre empresas e reestruturações internas, é impulsionado pelo crescimento do mercado e pela busca por mão de obra especializada em um cenário de alta demanda por viagens.
Diversos fatores explicam a rotatividade em 2026, como o desejo dos brasileiros de viajar, apesar do dólar elevado e do alto custo de passagens e hotelaria. Empresas em expansão, como a Decolar e a HotelDO — que divulgou crescimento de 77% este ano —, têm buscado profissionais experientes para novos departamentos e para fortalecer o relacionamento direto com o cliente.
Mudanças na aviação e novos negócios
O segmento aéreo também contribui para a demanda por novos quadros. A Gol iniciou voos internacionais com aviões de longo curso, enquanto a Latam prepara o início das operações com aeronaves Embraer. Essas movimentações exigem a contratação não apenas de tripulantes, mas de especialistas em áreas como Vendas e Marketing.
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A expansão do mercado permitiu a abertura de novos negócios. O Grupo Kontik inaugurou recentemente uma consolidadora e uma agência de viagens de luxo, além de reiniciar operações de suas plataformas digitais (OTAs). Outro exemplo é a criação da Cruise Collection pelos sócios da Sakura, em parceria com Daniel Marrocos, ex-Píer Viagens.
Reestruturações e trocas de liderança
Grandes corporações passaram por mudanças drásticas em suas estruturas de comando em 2026. Na CVC Corp, o CEO Fábio Mader promoveu o desligamento de diretores e de mais de 100 colaboradores. Na mesma empresa, Renzo Mello assumiu o posto de Renata Cenni. Já Hugo Lagares deixou a CVC Corp para atuar na Orinter, onde trabalha com a CEO Ana Maria Berto.
Outras lideranças que se movimentaram no setor incluem:
Luti Guimarães, que migrou da Flytour para a Sakura com uma equipe de mais de 100 profissionais;
Fábio Campos, que assumiu a área comercial da Azul Linhas Aéreas;
Rafaela Rezende, na Decolar, que anunciou novos nomes para a estrutura da empresa;
Jacqueline Conrado, que deixou a United, resultando na extinção do cargo de Country Manager na companhia.
Na BeFly, Sylvio Ferraz passou a acumular duas vice-presidências após a saída de Luti Guimarães e liderou uma reestruturação que incluiu a mudança de sede de algumas marcas. Em outros movimentos de mercado, a BRT contratou profissionais da Skyteam para sua unidade em Campinas, enquanto a Konvia absorveu ex-colaboradores da Sakura.
Desafios na retenção de talentos
A escassez de profissionais qualificados tem gerado uma disputa acirrada entre os concorrentes. A ausência de planos de carreira em algumas empresas e o clima organizacional são apontados como motivos para que colaboradores aceitem propostas de outras companhias ou até mesmo de setores fora do turismo.
Especialistas indicam que a tecnologia tem auxiliado em gargalos operacionais, mas o fator humano permanece essencial para o crescimento das empresas. A tendência é que a movimentação de profissionais continue enquanto novas verticais de negócios forem implementadas e as metas de expansão para os próximos anos forem perseguidas.