Agência com apuração local · publicado originalmente por Portal Drauzio Varella
Mente e Corpo Integrados
Psiquiatria Além do Cérebro: A Importância da Saúde Física na Recuperação Mental
Tratar a mente exige cuidar do corpo. Especialistas alertam que condições como diabetes e obesidade impactam transtornos mentais, e o cuidado integrado pode aumentar a expectativa de vida.
Foto: Reprodução/Portal Drauzio Varella
Portal Drauzio Varella
Jornalista
O tratamento de transtornos psiquiátricos deve ir além do controle de sintomas e considerar a saúde física do paciente de forma integrada. Condições como diabetes, obesidade, hipertensão e alterações de colesterol possuem uma relação direta com a saúde mental, influenciando tanto o surgimento quanto a evolução de quadros clínicos.
De acordo com especialistas, essa conexão ocorre de maneira bidirecional. Enquanto problemas cardiovasculares e metabólicos aumentam os riscos de depressão e ansiedade, pessoas com transtornos mentais graves enfrentam maiores chances de desenvolver doenças físicas. O tema foi um dos destaques do Congress on Brain, Behavior and Emotions 2026, realizado em Porto Alegre (RS).
A importância do cuidado integrado
O psiquiatra Gabriel Okuda, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ressalta que pacientes com quadros graves nem sempre conseguem monitorar a própria saúde clínica adequadamente. "Por isso, quando conseguimos associar o tratamento psiquiátrico ao cuidado com a saúde física, o prognóstico é melhor", afirma o médico.
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A prática de exercícios físicos é apontada como uma estratégia fundamental e não farmacológica. Segundo Okuda, a abordagem terapêutica deve ser ampla: "Quando a gente vai tratar o paciente, nunca pensamos só em medicação ou só em terapia. A gente junta tudo isso", explica.
Hábitos e qualidade de vida
Além da atividade física, outros pilares são essenciais para a recuperação e manutenção da saúde mental:
Sono: Noites mal dormidas podem agravar sintomas de humor, enquanto a insônia é frequentemente associada à ansiedade e depressão.
Alimentação: A redução de produtos ultraprocessados e do consumo excessivo de álcool e cafeína contribui para o bem-estar.
Vínculos sociais: O convívio presencial com amigos e familiares ajuda a combater o isolamento, fator de risco para transtornos mentais.
Dados apresentados indicam que indivíduos com esquizofrenia, transtorno bipolar ou depressão grave podem ter uma expectativa de vida de 10 a 20 anos menor que a média da população. Essa diferença é atribuída, em parte, à dificuldade de acompanhamento médico de rotina por esses pacientes.
Para o especialista, a adoção de hábitos saudáveis, como dormir melhor, alimentar-se bem e reduzir o uso de substâncias como cigarro e álcool, é determinante para um envelhecimento com mais qualidade e para a melhora do prognóstico psiquiátrico.