Agência com apuração local · publicado originalmente por Notícias Agrícolas
Mercado de Commodities Agrícolas
Soja atinge R$ 165 nos portos, mas clima de incerteza trava novos negócios no Brasil
Apesar da soja superar R$ 165 nos portos, o mercado brasileiro perdeu fôlego. Produtores mantêm cautela devido à instabilidade econômica e política, aguardando definições para retomar as vendas.
Foto: Reprodução/Notícias Agrícolas
Notícias Agrícolas
Jornalista
O mercado da soja encerrou a quarta-feira (16) com preços próximos da estabilidade tanto na Bolsa de Chicago quanto no mercado físico brasileiro. Apesar de negócios pontuais terem superado os R$ 165,00 nos portos nacionais durante a manhã, o ritmo das comercializações perdeu fôlego ao longo do dia.
Na Bolsa de Chicago, as cotações alternaram entre altas e baixas, refletindo um movimento de acomodação após valorizações registradas na sessão anterior. O contrato para novembro de 2026 fechou em US$ 13,21 por bushel, enquanto o vencimento de março de 2027 atingiu US$ 13,46. O contrato de maio, que serve como referência para a safra do Brasil, encerrou em US$ 13,52.
No cenário nacional, o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, relatou que o período matutino apresentou oportunidades firmes, inclusive para a safra nova, com valores acima de R$ 150,00 e alguns próximos de R$ 160,00. No entanto, o mercado perdeu força no período da tarde, com compradores oferecendo valores menores.
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O comportamento dos produtores brasileiros tem sido de cautela. Segundo Brandalizze, o setor demonstra receio com o cenário econômico e político do país, o que impacta as decisões de venda. "O pessoal está um pouco mais desconfiado da economia brasileira, desconfiado do que vem pela frente, muitos temendo as eleições. A situação do Supremo deixou muito produtor nervoso", explicou o consultor.
A desconfiança em relação ao comportamento do dólar e às incertezas institucionais mantém os sojicultores em compasso de espera. Mesmo com a valorização generalizada registrada recentemente em todo o país, o volume de novos negócios diminuiu em função do clima de insegurança relatado pelos agentes do setor.
O mercado agora volta as atenções para os seguintes fatores:
Ritmo da demanda internacional e volume de compras da China;
Andamento da reta final da temporada nos Estados Unidos;
Início dos trabalhos da safra 2026/27 no Brasil;
Comportamento do câmbio e dos prêmios nos portos brasileiros.