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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por InfoMoney

Mercado Financeiro

Ibovespa recua com Petrobras em queda e Fed sinaliza novo aumento de juros nos EUA

Bolsa brasileira fechou em baixa de 0,51%, aos 185.547 pontos, pressionada por Petrobras e pelo tom hawkish do Federal Reserve, que elevou juros e sinalizou mais aperto.

Ibovespa recua com Petrobras em queda e Fed sinaliza novo aumento de juros nos EUA
Foto: Reprodução/InfoMoney

InfoMoney

Jornalista

O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira em queda de 0,51%, aos 185.547,66 pontos, pressionado principalmente pela desvalorização das ações da Petrobras e pela decisão do Federal Reserve (Fed) de elevar os juros nos Estados Unidos, com sinalização de novo aperto ainda neste ano.

O índice oscilou entre a máxima de 186.738,25 pontos e a mínima de 184.753,98 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro movimentado na B3 somou R$ 72,48 bilhões, em dia que também contou com vencimento de opções sobre o Ibovespa.

No início da tarde, o Fed anunciou, por decisão unânime, a elevação da taxa básica de juros overnight em 0,25 ponto percentual, levando-a para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano — o primeiro aperto monetário desde 2023. Novas projeções divulgadas pelo banco central americano indicaram que 16 de suas autoridades preveem pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto até o final deste ano, enquanto duas apostam na estabilidade dos juros.

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Em entrevista coletiva após o anúncio, o chair do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a economia dos EUA se fortaleceu desde junho, mas que a inflação segue em patamar elevado e com pouca melhora nas tendências. Ele reforçou que o foco da instituição permanece na estabilidade de preços. "A estabilidade dos preços vem sendo o problema há mais de cinco anos e meio", disse Warsh. O dirigente também declarou ter dificuldade em classificar as condições financeiras atuais como restritivas, sugerindo que os juros ainda não freiam a economia de forma suficiente.

Para Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, o tom do comunicado foi inequívoco. "Isso é um discurso claramente hawkish, e o fato de essa avaliação ser 'amplamente compartilhada' pelo FOMC, nas palavras do próprio Warsh, reforça que não se trata de posição isolada", avaliou. Saadia destacou que, para ativos de risco como ações, o recado é de cautela, com a perspectiva de juros mais altos por mais tempo voltando a predominar. "O ponto a monitorar agora é a reação do governo Trump", acrescentou.

Nos mercados americanos, o S&P 500 fechou com recuo de 0,45%. O rendimento do título do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos foi a 5,0205% ao final do dia, ante 4,996% na véspera.

O pregão na B3 também foi marcado pela expectativa em torno da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro, com apostas apontando para uma redução da taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. "A bolsa passou o dia refém da 'superquarta' e o pregão foi mais de posicionamento do que de convicção", afirmou Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.

Trevisan observou que a alta de 0,25 ponto pelo Fed já estava precificada, mas que o comunicado foi firme ao sinalizar aceleração do retorno da inflação à meta. Ele ressaltou ainda que a decisão americana coincidiu com o dia em que o Copom deve cortar a Selic, reduzindo o diferencial de juros entre os dois países. "Para o investidor estrangeiro, parte da vantagem de manter recursos em reais desaparece, justamente às vésperas de uma eleição decisiva e com o crédito corporativo sob estresse", afirmou.

Na avaliação do executivo, o Copom deve perder espaço para acelerar o ciclo de cortes. "Minha leitura é que o Copom perde espaço para acelerar o ciclo e deve seguir decidindo reunião a reunião, com muita cautela na comunicação", disse. Para ele, o que vai definir o pregão de quinta-feira não é o corte em si, mas o teor do comunicado. "Eu espero um Banco Central cauteloso, sem se comprometer com a continuidade do ciclo", completou.

Dados da B3 apontaram mais um dia de saída líquida de capital estrangeiro das ações brasileiras. Até o dia 14, o saldo externo acumulado em setembro era positivo em R$ 7 bilhões, ante R$ 7,3 bilhões registrados até o dia 11.

Destaques do pregão

  • Petrobras foi um dos principais pesos negativos do índice. As ações preferenciais (PETR4) recuaram 3,53%, e as ordinárias (PETR3) perderam 4,27%, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional. O contrato Brent fechou em baixa de 2,69%, a US$ 105,83 o barril.
  • Braskem PNA (BRKM5), fora do Ibovespa, despencou 15,17% após o banco UBS BB cortar a recomendação dos papéis para venda e reduzir o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 3,75. Os analistas afirmaram não enxergar saída fácil para o cenário atual da companhia. O jornal Valor Econômico também reportou que a petroquímica enviou aos credores termos mais detalhados para sua reestruturação financeira, incluindo previsão de deságio na dívida.
  • Banco do Brasil ON (BBAS3) subiu 3,04%, ganhando força na segunda parte do pregão, em dia misto para o setor bancário.
  • Itaú Unibanco PN (ITUB4) recuou 0,12%, Bradesco PN (BBDC4) fechou com alta de 0,05% e Santander Brasil Unit (SANB11) caiu 0,96%.
  • Nubank (NU), listado nos EUA, perdeu 2,68% após o Itaú BBA rebaixar a recomendação dos papéis de "outperform" para "market perform".
  • Vale ON (VALE3) recuou 2,14%, em dia de oscilação modesta dos futuros de minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian encerrou com alta de 0,14%.
  • Magazine Luiza ON (MGLU3) avançou 6,64%, em sessão positiva para o varejo. Assaí ON (ASAI3) subiu 4,66% e Lojas Renner ON (LREN3) valorizou 3,14%, beneficiadas pelo alívio nas taxas dos contratos de DI com prazos mais longos e pela expectativa de novo corte de juros no Brasil.

Com informações de InfoMoney.

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