Agência com apuração local · publicado originalmente por Outras Palavras
Educação sob Investigação
Escola do Futuro em São Roque: Unidade de R$ 40 Milhões é Alvo de Críticas por Falhas Graves
Inaugurada com investimento milionário, a Escola do Futuro em São Roque enfrenta denúncias do Conselho de Educação por falhas de segurança, falta de biblioteca e problemas de acessibilidade.
Foto: Reprodução/Outras Palavras
Outras Palavras
Jornalista
A unidade da Escola do Futuro em São Roque, inaugurada em maio de 2026 com investimentos que ultrapassaram R$ 40 milhões, tornou-se alvo de questionamentos após uma visita técnica do Conselho Municipal de Educação. O relatório do órgão aponta disparidades entre o projeto de modernização e a realidade estrutural do prédio, que apresenta falhas de acessibilidade, segurança e a ausência de uma biblioteca estruturada.
O evento de inauguração contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes. Durante a cerimônia, um vereador de São Roque foi retirado à força após protestar com um cartaz contra a instalação de praças de pedágio na região. A escola, que iniciou as atividades efetivamente em agosto de 2026, tem previsão de atender entre 900 e 1.000 alunos do Ensino Fundamental.
Problemas de infraestrutura e segurança
A inspeção realizada pelo conselho identificou itens que podem comprometer a segurança e o uso autônomo do espaço pelos estudantes. No setor destinado aos alunos do 1º e 2º ano, as pias dos banheiros foram instaladas em altura padrão para adultos, dificultando o uso por crianças. Além disso, as rampas internas possuem inclinação acentuada e largura reduzida.
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Janelas dos andares superiores não possuem limitadores de abertura, o que representa risco de acidentes;
Banheiros para pessoas com deficiência foram entregues sem ventilação ou com janelas voltadas para banheiros coletivos, comprometendo a privacidade;
A unidade dispõe de apenas uma quadra poliesportiva para atender a demanda de até mil alunos.
Contradições pedagógicas e simbólicas
Uma das principais críticas do relatório reside na priorização de recursos. Enquanto a manutenção do laboratório tecnológico LabMaker tem custo anual estimado em R$ 2,9 milhões, a unidade não possui uma biblioteca formalmente constituída, dispondo apenas de um "cantinho de leitura". O conselho ressalta que o investimento em tecnologia deve ser acompanhado de transparência e finalidade pedagógica clara.
A decoração do ambiente escolar também foi questionada por exibir imagens de figuras religiosas, como Jesus Cristo e Buda, o que fere o princípio da laicidade em uma escola pública. Foi notada ainda a predominância de personalidades masculinas e estrangeiras nas paredes, com pouca representatividade de figuras brasileiras e da diversidade social do país.
Dificuldade na atração de docentes
Apesar de oferecer remuneração diferenciada, a Escola do Futuro de São Roque enfrentou baixo interesse de professores concursados da rede municipal. As causas para a baixa adesão de docentes efetivos, mesmo com a estrutura de tempo integral para os anos iniciais, ainda são alvo de investigação pelas entidades representativas da categoria.