Agência com apuração local · publicado originalmente por UOL
Alerta aos Pais
Câncer infantil tem cura: saiba como identificar sinais precoces e evitar atrasos no diagnóstico
A semelhança entre os sintomas iniciais do câncer infantojuvenil e enfermidades rotineiras da infância representa um dos principais obstáculos para a identificação rápida da doença. Especialistas…
Foto: Reprodução/UOL
UOL
Jornalista
A semelhança entre os sintomas iniciais do câncer infantojuvenil e enfermidades rotineiras da infância representa um dos principais obstáculos para a identificação rápida da doença. Especialistas ressaltam que a detecção precoce possibilita abordagens terapêuticas menos invasivas e amplia as probabilidades de cura.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil tem previsão de registrar 7.930 novos diagnósticos anuais de câncer em crianças e adolescentes durante o triênio 2023-2025. O agravo é considerado raro, correspondendo de 3% a 4% da totalidade de ocorrências oncológicas. As manifestações mais recorrentes abrangem leucemias e linfomas, seguidas por tumores no sistema nervoso central e outras formações sólidas, a exemplo de sarcomas e neuroblastomas.
Características biológicas e sinais de alerta
Diferente do cenário observado em adultos, os tumores pediátricos possuem natureza predominantemente embrionária, não apresentam correlação com fatores comportamentais e raramente decorrem de herança genética familiar, que responde por apenas 10% dos registros. A médica Viviane Sonaglio, líder do Centro de Referência em Tumores Pediátricos do A.C.Camargo Cancer Center, destaca que os tecidos mais jovens favorecem uma melhor resposta terapêutica e que, em centros de referência nacionais, de 8 a 9 em cada 10 pacientes atingem a cura.
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Entre os indícios clínicos frequentemente relatados estão:
Episódios de febre e cefaleia;
Palidez cutânea e hematomas pelo corpo;
Sangramentos na gengiva e surgimento de ínguas;
Dores em membros ou na região abdominal;
Alterações na capacidade visual.
Conforme orienta a médica, a permanência dessas manifestações por período superior a uma ou duas semanas exige avaliação médica aprofundada, preferencialmente conduzida por um pediatra que acompanhe o histórico do paciente.
Fluxo de atendimento no SUS e evolução terapêutica
No âmbito da saúde pública, o chefe do Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Lauro Gregianin, informa que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza métodos diagnósticos laboratoriais e de imagem, como tomografia, ressonância magnética e PET-CT. O tempo médio de espera entre a suspeita e a consulta especializada varia conforme o quadro clínico, levando em torno de cinco dias para leucemias, 30 dias para tumores abdominais e 45 dias para tumores ósseos ou do sistema nervoso central.
O encaminhamento na rede pública ocorre por meio de prontos-socorros, regulação via Gerenciamento de Consultas (Gercon) ou transferências pelo sistema Gerint, contando ainda com apoio multidisciplinar para as famílias. Neviçolino Carvalho Filho, primeiro vice-presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), salienta que a concentração do atendimento em estruturas especializadas busca garantir a qualidade técnica necessária, sendo essencial reforçar auxílios como o Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para garantir o suporte logístico aos pacientes.
O setor tem registrado avanços por meio da introdução de procedimentos cirúrgicos robóticos, radioterapia direcionada, imunoterapias e terapias-alvo. Recursos como a utilização do medicamento blinatumomab exemplificam o emprego da medicina de precisão em quadros de leucemia de alto risco, proporcionando tratamentos mais específicos e com menor índice de toxicidade.