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UE endurece discurso contra a China e promete usar ‘todos os instrumentos’ para reduzir déficit comercial
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, endureceu nesta quarta-feira, 16, o discurso da União Europeia (UE) contra a China e afirmou que o bloco está disposto a utilizar os…
Foto: Reprodução/Revista Oeste
Matheus Santos
Jornalista
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, endureceu nesta quarta-feira, 16, o discurso da União Europeia (UE) contra a China e afirmou que o bloco está disposto a utilizar os instrumentos disponíveis para reduzir o desequilíbrio comercial com Pequim.
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Durante o discurso anual sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, von der Leyen afirmou que o déficit europeu no comércio de bens com a China atingiu € 1 bilhão por dia no ano passado. Segundo ela, a situação chegou a um “ponto de inflexão”.
“Alguns dizem que o segundo choque da China está chegando. Mas ele já está aqui”, afirmou a presidente da Comissão Europeia. Von der Leyen relacionou o cenário ao processo de desindustrialização enfrentado pela Europa.
A dirigente europeia afirmou ainda que as negociações comerciais em andamento entre Bruxelas e Pequim precisam apresentar resultados concretos. As conversas são conduzidas pelo comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič, e a UE espera avanços até outubro.
Segundo von der Leyen, caso o diálogo não produza resultados suficientes, o bloco pretende recorrer aos mecanismos comerciais disponíveis para tentar reequilibrar a relação com a segunda maior economia do mundo.
“Usaremos todos os instrumentos à nossa disposição para reequilibrar nossa relação”, declarou.
Dependência da China
Ursula von der Leyen no discurso desta quarta-feira (16) | Foto: União Europeia, 2026
Outro ponto destacado pela presidente da Comissão foi a dependência europeia da China para o fornecimento de matérias-primas consideradas estratégicas, especialmente terras raras.
Von der Leyen anunciou a criação de uma nova corporação europeia voltada a matérias-primas críticas. A estrutura deverá atuar na obtenção e formação de estoques de materiais essenciais para a indústria do bloco.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de Bruxelas para diversificar fornecedores e reduzir vulnerabilidades externas. A legislação europeia sobre matérias-primas críticas já prevê, entre outras medidas, novos acordos comerciais, parcerias estratégicas e ações contra práticas comerciais consideradas desleais.
O endurecimento ocorre em um momento de preocupação europeia com a competitividade da indústria. Fabricantes chineses ganharam espaço em setores estratégicos, sobretudo no mercado automobilístico, enquanto empresas europeias enfrentam custos elevados e maior concorrência internacional.
Apesar do tom adotado nesta quarta-feira, Bruxelas mantém negociações com Pequim. A sinalização de von der Leyen é de que a continuidade do diálogo dependerá de avanços concretos na redução dos desequilíbrios apontados pela UE.
O discurso sobre o Estado da União é realizado anualmente diante do Parlamento Europeu e serve para apresentar as prioridades políticas e econômicas da Comissão Europeia para o período seguinte.