Agência com apuração local · publicado originalmente por Super Rádio Tupi
Psicologia e Gratidão
Por que pessoas que dizem 'obrigado' com frequência são diferentes, segundo a psicologia
A psicologia revela que o hábito de agradecer vai além da educação: ativa regiões cerebrais ligadas à empatia e indica traços de otimismo e generosidade.
Foto: Reprodução/Super Rádio Tupi
Super Rádio Tupi
Jornalista
Dizer "obrigado" com frequência pode revelar muito mais do que boas maneiras. Segundo a psicologia, quem tem o hábito de agradecer repetidamente — ao motorista do ônibus, ao caixa do mercado ou ao colega que segurou a porta — costuma apresentar características como empatia elevada, otimismo e uma forma mais generosa de interpretar o cotidiano.
A Associação Americana de Psicologia define gratidão como um sentimento de agradecimento e felicidade diante de algo recebido, seja um favor concreto ou um acaso positivo. Na literatura acadêmica, ela também é descrita como um traço afetivo estável, ou seja, uma maneira consistente de a pessoa reagir ao mundo ao redor.
Pesquisadores da psicologia positiva apontam que o hábito de agradecer com frequência raramente aparece de forma isolada. Ele costuma vir acompanhado de outras características, como a facilidade em reconhecer o esforço alheio e uma leitura mais positiva das situações do dia a dia.
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O que acontece no cérebro
Estudos com neuroimagem indicam que a gratidão ativa áreas cerebrais ligadas à recompensa, à empatia e à tomada de decisão, como o córtex pré-frontal e o estriado ventral. São as mesmas regiões acionadas em situações prazerosas, como uma refeição agradável ou um abraço.
Pesquisas conduzidas por Robert Emmons, da Universidade da Califórnia em Davis, e Michael McCullough, da Universidade de Miami, mostraram que pessoas que registram regularmente motivos de agradecimento tendem a se sentir mais otimistas e chegam a se exercitar mais do que aquelas sem esse hábito.
Educação ou sentimento?
Há uma distinção importante entre o agradecimento automático, aprendido desde a infância como norma social, e a gratidão como sentimento consciente. Neste segundo caso, a pessoa reconhece que recebeu algo de valor e que esse algo veio de alguém.
A boa notícia, segundo especialistas, é que a gratidão pode ser desenvolvida mesmo por quem não cresceu em um ambiente onde o hábito era comum. Práticas simples ajudam a fixar essa postura:
Anotar três coisas positivas do dia antes de dormir
Enviar uma mensagem de reconhecimento a alguém
Os profissionais de saúde ressaltam, no entanto, que agradecer não substitui acompanhamento psicológico ou médico, funcionando apenas como um recurso complementar para lidar com as pressões do cotidiano.
O "obrigado" repetido, que pode parecer exagero para quem está de fora, tende a ser a expressão visível de algo mais profundo: a capacidade de notar o que se tem, valorizar quem está por perto e encontrar o que ainda funciona bem, mesmo nos dias mais difíceis.