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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por CNN Brasil

Medicina Inovadora

Ex-enfermeira com câncer terminal é curada por técnica inovadora e intriga cientistas

Caroline Ainslie, 60 anos, tinha câncer de ovário estágio 4 com metástases e prognóstico de um ano de vida. Tratamento com HIPEC a curou completamente.

Ex-enfermeira com câncer terminal é curada por técnica inovadora e intriga cientistas
Foto: Reprodução/CNN Brasil

CNN Brasil

Jornalista

Uma ex-enfermeira britânica de 60 anos foi declarada livre de tumores após receber diagnóstico de câncer de ovário em estágio quatro, com metástases no fígado e no pulmão, e acreditar que teria apenas um ano de vida. O caso de Caroline Ainslie, de Southampton, chama atenção da comunidade científica pelo resultado obtido com uma técnica ainda pouco difundida.

O diagnóstico foi feito em março. Na época, Caroline já apresentava comprometimento em múltiplos órgãos. "Eu tinha câncer praticamente em todos os lugares", disse ela. "Pensei que estava condenada, que iria morrer, e que não tinha muito tempo de vida restante. Achei que estaria morta em um ano – foi devastador, absolutamente devastador."

Após uma resposta positiva à quimioterapia convencional inicial, Caroline foi submetida ao HIPEC — quimioterapia intraperitoneal hipertérmica —, procedimento que combina cirurgia com aplicação direta de quimioterapia aquecida no abdômen. A operação durou 12 horas e foi realizada no University Hospital Southampton, onde a própria paciente havia trabalhado como chefe divisional de enfermagem.

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Como funciona o tratamento

O ginecologista oncológico David Constable-Phelps, responsável pela cirurgia, explicou a técnica. "HIPEC é essencialmente colocarmos quimioterapia em uma solução transportadora dentro do abdômen", disse o médico. "Depois de terminarmos a operação e após alcançarmos a remoção completa da doença, aquela solução é aquecida a 42°C e circulamos isso por 90 minutos usando uma máquina HIPEC."

O objetivo da circulação prolongada é eliminar células cancerígenas microscópicas que não são visíveis a olho nu após a retirada dos tumores. O aquecimento potencializa a ação do medicamento e melhora sua penetração nos tecidos.

O resultado surpreendeu até os especialistas. "É fantástico. Ela está atualmente livre de tumores", afirmou Constable-Phelps. Segundo o médico, a expectativa é que Caroline se recupere completamente e retome a vida normalmente, sem limitações decorrentes da cirurgia ou da quimioterapia.

Recuperação e próximos passos

Apesar de ter sido declarada livre de tumores, Caroline ainda passará por duas rodadas adicionais de quimioterapia e continuará sendo monitorada pela equipe médica. Como forma de celebrar o resultado, ela reservou férias de esqui para o próximo ano — algo que considerava impossível meses atrás.

"Neste momento estou livre de câncer e estou absolutamente encantada com isso. É surreal, porque nunca imaginei que estaria nesta posição", declarou Caroline, que também expressou gratidão à equipe que a operou e cuidou dela.

A paciente disse esperar que sua trajetória sirva de encorajamento a outras pessoas. "Espero que minha história inspire outras pessoas a perceberem que ter um diagnóstico de câncer não significa o fim da sua vida. Certamente muda, mas há uma grande dose de esperança no futuro por causa dos avanços nos tratamentos."

Hospital entre os líderes no Reino Unido

O University Hospital Southampton implantou o serviço de HIPEC em 2022, com recursos viabilizados por uma doação da PLANETS Cancer Charity, organização beneficente sediada em Hampshire. Desde então, o hospital concluiu 50 procedimentos do tipo em pacientes com diferentes formas de câncer, tornando-se um dos centros mais experientes do país na técnica.

Além do câncer de ovário, o tratamento também é aplicado em casos selecionados de tumores de intestino e apêndice que se espalharam pelo abdômen. Com evidências crescentes sobre sua eficácia, outros centros vinculados ao NHS estão avaliando a adoção do procedimento.

Neil Pearce, presidente da PLANETS e cirurgião consultor aposentado, destacou o impacto do financiamento. "Estamos extremamente orgulhosos de ter sido capazes de financiar o uso deste tratamento revolucionário de câncer no UHS, e histórias como a de Caroline demonstram o impacto que a instituição de caridade e todos os nossos apoiadores têm em salvar e transformar vidas."

Sobre o câncer de ovário

O câncer de ovário é a sexta neoplasia mais frequente entre mulheres no Reino Unido, com cerca de 7.500 diagnósticos por ano e mais de 4.000 mortes anuais. A doença é conhecida por apresentar sinais iniciais vagos, facilmente confundidos com problemas digestivos ou menstruais.

Entre os principais sintomas estão:

  • Inchaço persistente
  • Dor pélvica ou abdominal
  • Sensação de saciedade rápida ao comer
  • Necessidade frequente ou urgente de urinar

Cerca de dois terços dos casos são identificados apenas em estágio avançado, quando as opções terapêuticas costumam ser mais restritas.

Com informações de CNN Brasil.

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