Agência com apuração local · publicado originalmente por BBC
Escândalo de Corrupção Internacional
Aliado de Maduro admite crimes e entregará R$ 1 bilhão em acordo com os EUA
O empresário Alex Saab confessou esquema de corrupção na Venezuela e pagará US$ 195 milhões aos EUA. O acordo inclui delação sobre desvios bilionários em programas de alimentos e moradia.
Foto: Reprodução/BBC
BBC
Jornalista
O empresário colombiano Alex Saab, apontado como operador financeiro do governo de Nicolás Maduro, declarou-se culpado de conspiração para lavagem de dinheiro em um tribunal federal de Miami, nos Estados Unidos. Como parte de um acordo com a promotoria norte-americana, Saab se comprometeu a entregar US$ 195 milhões (cerca de R$ 1,03 bilhão) obtidos de forma ilícita e a colaborar com informações sobre esquemas de corrupção.
Saab, que já atuou como ministro na Venezuela, alterou sua declaração anterior de inocência após negociar com as autoridades. Segundo informações da agência EFE, o acordo prevê que ele forneça detalhes sobre a atuação de altos funcionários venezuelanos em transações financeiras ilegais. Em troca da cooperação, a promotoria poderá recomendar uma pena inferior aos 20 anos de prisão previstos para o crime.
As investigações indicam que o empresário participou de desvios de recursos públicos por meio de programas estatais. Entre as irregularidades citadas estão fraudes no programa CLAP, voltado à importação e distribuição de alimentos, e em projetos de construção de moradias populares. Em um dos casos, Saab teria recebido US$ 159 milhões para a compra de materiais de construção, mas entregou apenas o equivalente a US$ 3 milhões em produtos.
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O histórico judicial de Saab inclui uma prisão em Cabo Verde, em 2020, e uma extradição para os Estados Unidos no ano seguinte. Ele chegou a ser libertado em dezembro de 2023, após um acordo de troca de prisioneiros entre os governos de Joe Biden e Nicolás Maduro. No entanto, foi detido novamente em Caracas em fevereiro de 2024 e reextraditado para solo americano em maio.
Documentos do processo mencionam que o esquema contava com a proteção de figuras do alto escalão do governo venezuelano. Entre os nomes citados está o deputado José Gregorio Vielma Mora, acusado de receber aproximadamente US$ 17 milhões em subornos. Os textos judiciais referem-se ainda a um "Funcionário do Governo 1A", mantido sob sigilo, que teria autorizado o início das operações fraudulentas em troca de pagamentos ilícitos.
Detalhes das acusações
Fraude em moradias: Suspeita de superfaturamento e não execução de obras contratadas pelo governo venezuelano entre 2012 e 2013.
Esquema de alimentos: Uso de empresas de fachada e faturas falsas para desviar fundos destinados à importação de mantimentos.
Lavagem de dinheiro: Acusação de movimentar ilegalmente cerca de US$ 350 milhões por meio do sistema de controle cambial da Venezuela.
Tanto o governo da Venezuela quanto a defesa de Alex Saab sempre negaram as acusações, classificando as prisões anteriores como perseguição política. O desfecho do caso ocorre em um momento em que outras autoridades venezuelanas também são alvo de processos judiciais nos Estados Unidos.