Agência com apuração local · publicado originalmente por CNN Brasil
Diplomacia Secreta
EUA e Houthis se reuniram secretamente em Omã para discutir cessar-fogo no Mar Vermelho
Encontro sigiloso entre autoridades americanas e representantes Houthis ocorreu na embaixada dos EUA em Mascate, capital de Omã, após avanço do grupo no litoral iemenita.
Foto: Reprodução/CNN Brasil
CNN Brasil
Jornalista
Autoridades dos Estados Unidos e representantes do grupo Houthi se reuniram no fim de semana em Omã, em um encontro não divulgado publicamente, segundo cinco fontes com conhecimento do assunto. O encontro aconteceu dias após o grupo apoiado pelo Irã assumir o controle de um trecho estratégico da costa iemenita no Mar Vermelho, derrotando forças aliadas da Arábia Saudita.
De acordo com três das fontes, que falaram sob condição de anonimato, o encontro ocorreu na embaixada americana em Mascate, capital de Omã. Duas delas indicaram que o governo omanense, reconhecido como mediador regional, contribuiu para a organização da reunião.
Segundo uma das fontes, o encontro aconteceu no domingo (13). Na ocasião, os Houthis teriam comunicado às autoridades americanas que não pretendiam atacar embarcações dos EUA e que mantinham o compromisso com o cessar-fogo firmado com Washington em 2025. Uma fonte iemenita acrescentou que o grupo também declarou que não atacaria navios israelenses nem embarcações comerciais, com exceção daquelas pertencentes à Arábia Saudita.
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O lado americano foi representado por funcionários da embaixada, segundo duas fontes. A delegação Houthi teria incluído Mohammad Abdulsalam, um alto funcionário do grupo que está sob sanções dos EUA e atua em Mascate. Outra fonte confirmou ainda a presença de Abdelmalik al-Ajiri, também apontado como um alto representante Houthi.
Questionado sobre o assunto, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou: "Não temos comentários sobre essa reunião específica relatada." O porta-voz acrescentou que proteger a liberdade de navegação no Mar Vermelho e impedir a exportação de terrorismo do Oriente Médio são interesses fundamentais dos Estados Unidos. A embaixada de Omã nos EUA e o funcionário Abdulsalam não responderam aos pedidos de comentário.
O presidente Donald Trump afirmou no sábado (12) que os Houthis haviam contatado seu governo por telefone pedindo que Washington não se envolvesse no conflito iemenita. Já o vice-presidente JD Vance declarou na segunda-feira (14) que os EUA mantinham contato direto com o grupo, sem detalhar a natureza das conversas.
O governo Trump classificou os Houthis como organização terrorista estrangeira em março de 2025. Ainda assim, Washington já havia negociado com o grupo anteriormente, chegando a um cessar-fogo em maio do ano passado após dois meses de bombardeios destinados a conter ataques a navios no Mar Vermelho.
Avanço no Mar Vermelho
Na semana passada, os Houthis assumiram o controle efetivo de toda a costa iemenita no Mar Vermelho. Entre as posições tomadas estão o porto histórico de Mocha e a ilha de Perim, localizada no estreito de Bab el-Mandeb — conhecido como "Portão das Lágrimas" —, ponto de entrada estratégico para o mar.
O grupo controla a capital do Iêmen desde 2014 e trava combates contra uma coalizão liderada pela Arábia Saudita há mais de uma década. Após um período de relativa trégua, os conflitos foram retomados em julho, quando os Houthis declararam bloqueio ao transporte marítimo saudita no Mar Vermelho, em resposta a um bloqueio saudita aos portos iemenitas.
Diante dos avanços do grupo, o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman telefonou para Trump na semana passada em busca de apoio militar americano. Segundo a agência Reuters, Washington teria comunicado a Riad que não participaria diretamente do conflito.