Agência com apuração local · publicado originalmente por InfoMoney
Câmbio em Alta
Dólar dispara 1,27% e fecha a R$ 5,17, maior valor desde agosto, pressionado por pesquisa eleitoral
Moeda americana atinge maior patamar de fechamento desde 31 de agosto, impulsionada por empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro e alta dos juros nos EUA.
Foto: Reprodução/InfoMoney
InfoMoney
Jornalista
O dólar comercial registrou valorização nesta quarta-feira (23), impulsionado pelo cenário externo e pela repercussão de uma nova pesquisa de intenção de voto para a eleição presidencial. A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão negociada a R$ 5,1689, o que representa um avanço de 1,27% e o maior patamar de fechamento registrado desde 31 de agosto, quando atingiu R$ 5,1814. Com essa variação, a divisa passa a acumular recuo de 5,83% no ano.
Ao longo do dia, a cotação oscilou entre a mínima de R$ 5,1214, verificada às 10h30, e a máxima de R$ 5,1769, registrada às 14h40. No mercado futuro da B3, o contrato de dólar com vencimento em outubro apresentava alta de 1,20% às 17h04, cotado a R$ 5,1715.
Cenário político e pesquisa eleitoral
O mercado financeiro repercutiu o levantamento Atlas/Bloomberg divulgado no início do dia. Os dados apontam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 47,7% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro aparece com 47,4%. Por conta da margem de erro de 1 ponto percentual, o cenário é de empate técnico, mas marca o retorno da liderança numérica de Lula, que anteriormente tinha 46,8% contra 47,2% do adversário.
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Sobre a movimentação do mercado diante do cenário fiscal e político, o sócio-fundador da Boa Brasil Capital, Marcos Bassani, avaliou o contexto em comentário por escrito: "A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula voltando à frente numericamente, ainda em empate técnico, e o mercado reagiu cobrando mais prêmio. Na minha opinião, o que está em jogo não é o nome de quem vai ganhar, é a trajetória da dívida". O analista complementou: "Enquanto não houver um sinal claro de compromisso com as contas públicas, acredito que o investidor vai continuar exigindo juros mais altos para financiar o país e vai buscar proteção no dólar".
Pressões internacionais e dados do Banco Central
No exterior, a moeda dos Estados Unidos também operou em alta frente a outras divisas globais. O índice do dólar, que calcula o desempenho da divisa diante de uma cesta com seis moedas, marcava valorização de 0,54% às 17h05, posicionado em 101,090 pontos. O movimento internacional foi motivado pela expectativa de elevação de juros pelo Federal Reserve, decorrente de impactos inflacionários da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Além disso, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos Estados Unidos, medido pela S&P Global para os setores de serviços e manufatura, avançou de 56,0 em agosto para 58,4 em setembro, atingindo o patamar mais elevado desde julho de 2021.
No âmbito doméstico, o Banco Central realizou operação de rolagem cambial no final da manhã com a venda de 30.000 contratos de swap para 1º de outubro. Pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, declarou que não projeta sobressaltos expressivos no câmbio em razão dos ajustes de taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Por fim, a autoridade monetária divulgou que o fluxo cambial do país registrou saída líquida de US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18.