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Conteúdo de agência · publicado originalmente por Times Brasil

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Dólar sobe a R$ 5,15 antes de “Superquarta” e com sessão histórica no STF

BC realiza operação de US$ 1 bilhão enquanto investidores aguardam decisões de juros nos EUA e no Brasil. O post Dólar sobe a R$ 5,15 antes de “Superquarta” e com sessão histórica no STF apareceu…

Maria Figueiredo

Jornalista

O dólar encerrou a terça-feira (15), em alta de 0,14% ante o real, a R$ 5,1551, após oscilar entre altas e baixas durante a manhã. A moeda chegou a R$ 5,1270 na mínima e a R$ 5,1626 na máxima, acompanhando o comportamento do dólar no exterior.

A alta do petróleo ganhou força ao longo da tarde, com o Brent voltando a se aproximar de US$ 110 por barril. O movimento ampliou as preocupações com a inflação às vésperas da decisão do Federal Reserve (Fed) sobre os juros. Nos dois primeiros pregões da semana, o dólar acumula alta de 0,58% frente ao real. Em setembro, porém, registra queda de 0,48%, depois de subir 2,16% em agosto. No ano, a baixa é de 6,08%.

No mercado externo, o DXY, índice que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,26%, para 99,637 pontos, por volta das 17h. A máxima da sessão foi de 99,687 pontos, enquanto o indicador acumulava alta de 0,55% na semana. No mesmo período, o Brent acumulava valorização próxima de 20% em setembro.

Os investidores também acompanharam a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que avalia a possibilidade de abertura de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes no caso relacionado ao Banco Master. Os atritos entre integrantes da Corte geraram desconforto no mercado, mas não foram determinantes para a formação da taxa de câmbio.

Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, afirmou que o mercado permanece em compasso de espera diante das dúvidas sobre o resultado da reunião do STF. Na avaliação atribuída a ele, um eventual desfecho poderia afetar os preços dos ativos caso alterasse as expectativas relacionadas à eleição.

A sessão foi marcada por confrontos entre ministros. Gilmar Mendes, decano do STF, acusou André Mendonça de ter motivações políticas ao retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Mendonça rebateu a acusação e disse que Gilmar Mendes estava sendo “leviano”. Dias Toffoli e Nunes Marques declararam-se impedidos de analisar o caso.

Leia mais: Petróleo sobe até 4,4% e ultrapassa US$ 108 após ataques à infraestrutura saudita

Rostagno também afirmou que a crise no STF, especialmente as acusações envolvendo Moraes, aparentemente impulsionou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo essa avaliação, o movimento teria contribuído para a recuperação do real em setembro, após a queda registrada em agosto. Investidores consideram a oposição mais inclinada a promover um ajuste fiscal robusto.

Ainda de acordo com Rostagno, pesquisas recentes indicaram Flávio em um momento positivo, o que teria ajudado o real. Na mesma avaliação, embora o petróleo mais caro aumente as preocupações inflacionárias, a valorização da commodity favorece os termos de troca e contribui para manter o real relativamente comportado, mesmo diante de uma percepção maior de risco.

Para a “superquarta”, o cenário mais provável é de uma elevação de 0,25 ponto percentual dos juros pelo Federal Reserve, acompanhada de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Em tese, essa combinação seria negativa para o real por reduzir o diferencial de juros entre Brasil e exterior e, consequentemente, a atratividade do carry trade.

Mauricio Une, economista-chefe do Rabobank para a América do Sul, afirmou em relatório que o banco projeta o dólar a R$ 5,35 no fim de 2026. A estimativa está associada à expectativa de redução do diferencial entre os juros brasileiros e estrangeiros ao longo de 2026, a uma eventual recuperação do dólar no mercado global, à fragilidade fiscal doméstica e ao contexto eleitoral.

Pela manhã, o Banco Central realizou uma operação chamada de “casadão”, com venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista, compra do mesmo valor em dólar futuro e oferta de 20 mil contratos de swaps cambiais reversos.

A operação não interfere diretamente na taxa de câmbio, mas tende a reduzir a pressão sobre o cupom cambial, definido como a taxa de juros em dólar.

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